A Azzurra Exorciza os Fantasmas e Está a Um Passo do Regresso ao Mundo

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Tonali e Kean resolveram no segundo tempo uma noite de tensão e memórias amargas em Bérgamo. A Itália vence a Irlanda do Norte por 2–0 e avança à final da repescagem europeia, onde enfrenta a Bósnia e Herzegovina a 31 de Março.

Havia um peso invisível sobre o estádio New Balance Arena, em Bérgamo, muito antes de a bola rolar. É o peso da Suécia, da Macedónia do Norte, de dois Mundiais perdidos num país onde o futebol é, antes de tudo, uma questão de honra nacional. Mas desta feita, a Itália soube encontrar dentro de si o que precisava para sobreviver: dois remates certeiros de Sandro Tonali e Moise Kean que valem o apuramento para a final da repescagem europeia com uma vitória por 2–0 sobre a Irlanda do Norte.

12 Anos sem disputar um Mundial

2 Edições consecutivas ausentes

56′ Primeiro golo de Tonali

80′ Golo decisivo de Kean

Uma Primeira Parte Para Esquecer

Gennaro Gattuso escolheu Bérgamo por razão: queria um caldeirão, não uma catedral vazia. E a torcida correspondeu desde o primeiro minuto, empurrando os azzurri em cada lance. Contudo, a equipa italiana foi fiel à sua recente tradição de angústia: dominou o jogo com posse de bola, empilhou escanteios e tentativas, mas encontrou pela frente uma Irlanda do Norte extremamente disciplinada, fechada atrás com todos os seus jogadores atrás da linha da bola.

Federico Dimarco foi das poucas notas positivas do primeiro tempo, com um pontapé perigoso que obrigou o guarda-redes Pierce Charles a intervir. Mas o momento mais constrangedor pertenceu a Mateo Retegui: recebeu o esférico de graça a dois metros da baliza, disparou completamente sozinho, mas adiantou demasiado a bola e desperdiçou a melhor oportunidade da partida. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Era inevitável que tanto os tifosi como os jogadores fossem constantemente lembrados do que aconteceu nas duas repescagens anteriores. O medo ensombrou o futebol durante grande parte do jogo.


— Análise do jogo, repescagem europeia 2026

Tonali Acende a Chama

O intervalo trouxe uma equipa diferente. Gattuso terá dito o necessário no balneário, e a Itália entrou no segundo tempo com maior verticalidade e agressividade. Aos 53 minutos, Retegui voltou a desperdiçar — desta feita interceptado pelo defesa Brodie Spencer — e Kean falhou um remate cruzado que o guarda-redes Charles defendeu com a ponta dos dedos.

Então, ao minuto 56, surgiu Sandro Tonali. O médio do Newcastle aproveitou uma má abordagem da defesa da Irlanda do Norte, recebeu a bola na entrada da área e, de primeira, soltou uma bomba que não deu qualquer hipótese a Pierce Charles. O estádio explodiu. O fantasma recuou alguns passos.

Kean Sela a Classificação

Com vantagem, a Itália ganhou espaço e conseguiu controlar melhor o jogo. A Irlanda do Norte, obrigada a sair mais para o ataque, deixou espaços que os azzurri souberam explorar em transições rápidas, quase sempre com Kean como alvo. O atacante ainda atirou por cima aos 75 minutos, mas acabou por ser recompensado cinco minutos depois.

Numa jogada de qualidade superior, Tonali serviu Kean com um passe longo pela direita; o avançado cortou para o centro, enganou o defesa com um movimento de cintura e bateu cruzado, com o pé esquerdo, enviando a bola para o canto da baliza — ainda com um ligeiro toque na trave antes de entrar. Era o 2–0. Era a tranquilidade. Era, finalmente, a libertação.

Homenagem a Savoldi

Antes de a partida começar, foi respeitado um minuto de silêncio em memória de Giuseppe Savoldi, lendário avançado italiano falecido aos 79 anos, que marcou época no futebol peninsular, em particular ao serviço do Bologna. A cerimónia conferiu à noite um carácter ainda mais emocional, lembrando que há muito mais do que pontos em jogo quando a Itália desce a campo numa repescagem para o Mundial.

 

 

🇮🇹 Itália

  • 1 Donnarumma
  • 2 Mancini
  • 5 Calafiori
  • 23 Bastoni
  • 3 Dimarco
  • 7 Politano
  • 8 Tonali
  • 4 Locatelli
  • 18 Barella
  • 11 Kean
  • 9 Retegui

Seleccionador: Gennaro Gattuso

🏴󠁧󠁢󠁮󠁩󠁲󠁿 Irlanda do Norte

  • 1 P. Charles
  • 2 Hume
  • 5 McConville
  • 6 McNair
  • 3 Spencer
  • 4 Devlin
  • 8 S. Charles
  • 14 Galbraith
  • 11 Devenny
  • 10 Price
  • 9 Donley

Seleccionador: Michael O’Neill

▶ Próximo Jogo

Itália vs. Bósnia e Herzegovina — Final da Repescagem

31 de Março de 2026 · 15h45 (de Lisboa) · Fora de casa · Jogo único
Azzurra enfrenta a Bósnia e Herzegovina, que eliminou o País de Gales nas grandes penalidades (4–2), numa final única que vale a vaga no Grupo B do Mundial 2026, ao lado do Canadá, do Qatar e da Suíça.

Análise: Um Passo Decisivo, Mas Falta o Mais Difícil

A Itália venceu, mas não convenceu plenamente. A primeira parte foi um retrato fiel das suas limitações colectivas — falta de criatividade entre linhas, dependência excessiva dos extremos e dificuldade em romper blocos defensivos compactos. A Bósnia e Herzegovina, adversária na final, é uma equipa com mais qualidade individual e que vem de uma noite de alta intensidade emocional após os penáltis frente ao País de Gales.

O que muda é que agora a Itália não joga em casa. O factor psicológico, que tanto pesou nesta noite em Bérgamo, terá de ser gerido à distância, longe dos tifosi que encheram o estádio em apoio. Mas há um argumento que pode ser mais poderoso do que qualquer outro: a equipa que entra em campo a 31 de Março sabe que uma derrota significa mais quatro anos de espera. E essa certeza, paradoxalmente, pode ser a maior fonte de motivação para exorcizar de vez os fantasmas do passado.

Para a Irlanda do Norte, a eliminação encerra um sonho que alimentaram durante a fase de apuramento. A última participação numa fase final de um Mundial remonta ao México de 1986 — quarenta anos de ausência que continuarão a marcar a história de uma das selecções mais apaixonadas das ilhas britânicas. A equipa de Michael O’Neill mostrou organização e valentia, mas a qualidade individual italiana acabou por fazer a diferença.

Fim do Artigo

O Desportivo  ·  Edição Digital  ·  26 de Março de 2026
Repescagem Europeia para a Copa do Mundo FIFA 2026  ·  Bérgamo, Itália

Güler Assina, Kadioglu Conclui: a Turquia Está a Uma Vitória de Regressar ao Mundo Após 24 Anos

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Num jogo equilibrado e de poucas oportunidades, a mágica de Arda Güler num passe longo de enorme qualidade decidiu o destino da eliminatória. Kadioglu dominou e rematou na saída do guarda-redes romeno para selar o 1–0 que elimina a Roménia e coloca a Turquia na final da Chave C.

 

Vinte e quatro anos de espera pesam como uma eternidade no futebol turco. Desde o verão glorioso do Japão e da Coreia do Sul, onde a selecção de Şenol Güneş surpreendeu o mundo ao terminar em terceiro lugar, que a Turquia não disputa uma Copa do Mundo. Nesta quinta-feira, em Istambul, o sonho do regresso manteve-se vivo graças a um golo de Ferdi Kadioglu e, sobretudo, graças ao génio inclassificável de Arda Güler: uma vitória por 1–0 sobre a Roménia que garante o apuramento para a final da Chave C da repescagem europeia.

24 Anos sem disputar um Mundial

53′ Minuto do golo de Kadioglu

3.º Melhor resultado turco em 2002

D Grupo do vencedor (EUA, Par., Aus.)

Um Primeiro Tempo de Paciência e Domínio Sem Recompensa

O Tupraş Stadium, conhecido na era comercial como Vodafone Park, recebeu uma multidão fervorosa disposta a empurrar os seus até ao limite. E a Turquia correspondeu desde o início com uma postura dominante: mais posse de bola, mais presença no meio-campo adversário e, sobretudo, mais capacidade de criar situações de perigo — ainda que, na maioria das vezes, sem conseguir concretizar.

A melhor oportunidade do primeiro tempo pertenceu a Arda Güler. O criativo do Real Madrid, ladeado por Yilmaz do Galatasaray e por Kenan Yildiz da Juventus, foi uma das figuras mais influentes em campo. Aos 32 minutos, recebeu de Yildiz e rematou, mas por cima da trave. Hakan Çalhanoğlu também tentou a sua sorte através de uma falta directa que não inquietou Ionuț Radu.

Do lado romeno, a Roménia apostava em transições rápidas e chegou a assustar numa finalização de Ianis Hagi, filho da lenda romena Gheorghe Hagi, mas sem grande perigo real para o guarda-redes turco. Aos 32 minutos, um remate de Dragomir à trave foi cancelado por fora de jogo — um alerta que a selecção de Vincenzo Montella não tardou a responder com um crescente domínio.

Havia na bancada a consciência colectiva de que um erro poderia ser fatal. E foi exactamente nesse fio de navalha que ambas as selecções jogaram durante quarenta e cinco minutos interináveis.


— Crónica da partida · Repescagem Europeia 2026

O Passe de Génio que Mudou Tudo

O intervalo não alterou o guião, mas acelerou o desfecho. A Turquia voltou para a segunda parte com uma postura mais ofensiva e não demorou a abrir o marcador. Aos 53 minutos — sete minutos após o recomeço — aconteceu o momento que o Tupraş Stadium esperava: Arda Güler recebeu a bola no meio-campo, olhou para a frente e lançou Ferdi Kadioglu com um passe longo de precisão cirúrgica.

10

⭐ Figura do Jogo

Arda Güler — Real Madrid

O médio ofensivo turco de 19 anos foi o maestro da partida. Com uma visão de jogo excecional, foi responsável pelo passe decisivo que originou o único golo, manteve a equipa tranquila nos momentos de maior pressão e foi a figura que os adeptos turcos mais aplaudiram na noite de Istambul.

Kadioglu dominou a bola entre os defesas romenos e finalizou com precisão na saída do guarda-redes Ionuț Radu. O lateral-esquerdo do Brighton, habitualmente mais conhecido pelo seu trabalho defensivo, surgiu no lugar certo no momento certo. O estádio explodiu. Vinte e quatro anos de ausência começaram, naquele instante, a parecer um pouco menos longos.

A Roménia Bate na Trave — Literalmente

Longe de se resignar ao resultado, a Roménia tentou reagir e criou os seus momentos de perigo. Nicolae Stanciu acertou na trave após uma cobrança de canto aos 77 minutos, numa situação que gelou o estádio e relembrou que, no futebol, nada é definitivo antes do apito final. Mihaila também acertou no ferro da baliza anfitriã, em mais um momento de enorme tensão para os adeptos turcos.

Mas a Turquia soube administrar o resultado com posse de bola e com intervenções seguras do guarda-redes Ugurcan Çakir, que travou tudo o que lhe apareceu pela frente. A experiência e o sangue-frio dos jogadores de Montella, formados nas grandes ligas europeias, foi determinante para segurar os três pontos — e o passaporte para a final.

24 Anos de Saudade, Uma Final pela Frente

Quando o árbitro assinalou o fim do jogo, as bancadas do Tupraş Stadium transformaram-se numa onda de vermelho e branco. A Turquia garantiu a vaga na final da Chave C da repescagem europeia e aguarda o vencedor do confronto entre Eslováquia e Kosovo. Seja qual for o adversário, os turcos sairão a jogar fora de casa numa final única que vale o sonho há muito adiado.

O vencedor da final integrará o Grupo D da Copa do Mundo de 2026, ao lado dos Estados Unidos, do Paraguai e da Austrália. Para uma selecção turca que tem nos torneios internacionais uma história recente discreta — apesar de alguns momentos brilhantes no Euro 2024 — esta seria a oportunidade de voltar ao palco mais importante do futebol mundial. O último capítulo desta história será escrito a 30 de Março, com o mando a pertencer ao adversário ainda por definir.

Quanto à Roménia, a eliminação encerra uma tentativa de regresso ao Mundial que despertou esperança num país que viu as suas melhores gerações brilharem nos anos 90. Os romenos mostraram organização e lutaram até ao fim — Stanciu e Mihaila ficam com a consciência tranquila —, mas a qualidade individual turca, personificada no génio de Güler, acabou por fazer a diferença na noite de Istambul.

 

 

🇹🇷 Turquia

  • 1 Ugurcan Çakir
  • 2 Zeki Çelik
  • 4 Samet Akaydin
  • 5 Abdülkerim Bardakçi
  • 3 Ferdi Kadioglu ⚽
  • 8 Hakan Çalhanoğlu
  • 17 Salih Özcan
  • 14 Kaan Ayhan
  • 10 Arda Güler 🌟
  • 7 Kenan Yildiz
  • 9 Serdar Dursun

Seleccionador: Vincenzo Montella

🇷🇴 Roménia

  • 1 Ionuț Radu
  • 2 Andrei Rațiu
  • 5 Drăgușin
  • 6 Burca
  • 3 Bancu
  • 8 Marin
  • 14 Stanciu
  • 18 Dragomir
  • 10 Ianis Hagi
  • 11 Mihaila
  • 9 Pușcaș

Seleccionador: Mircea Lucescu

▶ Próximo Jogo

Turquia vs. Kosovo — Final da Chave C

30 de Março de 2026 · 21h00 (hora de Lisboa) · Fora de casa · Jogo único
A Turquia enfrentará o Kosovo, que eliminou a Eslováquia por 4–3, numa final de jogo único fora de casa. O vencedor integrará o Grupo D da Copa do Mundo 2026, ao lado dos Estados Unidos, do Paraguai e da Austrália.

Análise: Güler Eleva a Turquia, Mas a Final Será Ainda Mais Difícil

Vincenzo Montella construiu uma equipa sólida, de estrutura reconhecível e com jogadores de qualidade inegável nos corredores ofensivos. Arda Güler foi, uma vez mais, o elemento diferenciador — e é precisamente nessa dependência que reside o maior risco para a selecção turca. Quando o jovem do Real Madrid está em dia, a Turquia parece capaz de vencer qualquer adversário. Quando não está, a equipa perde criatividade e previsibilidade.

O Kosovo, vindo de uma vitória por 4–3 sobre a Eslováquia — uma batalha emocional e de enorme intensidade —, será um adversário diferente da Roménia. Mais caótico, mais imprevisível, com jogadores habituados à pressão dos grandes estádios europeus. A final será jogada em casa do Kosovo, o que retira à Turquia o factor que hoje foi decisivo: o apoio estrondoso das bancadas do Tupraş Stadium.

Mas o futebol, como a história ensina, não se joga em teoria. E a Turquia, com Güler a inspirar, com Çalhanoğlu a controlar e com Kadioglu a surpreender, tem argumentos suficientes para sonhar em escrever um novo capítulo glorioso na sua história mundialista — vinte e quatro anos depois do verão que ficou para sempre na memória de um povo.

Fim do Artigo

Gyökeres, o Carrasco de Trubin: Três Golos, Uma Noite Implacável e a Ucrânia Afastada do Mundo

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Oavançado do Arsenal — ex-Sporting — voltou a ser pesadelo para o guarda-redes do Benfica: um hat-trick soberbo em Valência que sentencia a Ucrânia e coloca a Suécia na final do Caminho B, onde aguarda a Polónia de Lewandowski.

 

Havia uma ironia quase cruel na composição desta partida. De um lado, Anatoliy Trubin — o jovem guarda-redes do Benfica que tão bem serviu os encarnados esta época — defendendo a baliza ucraniana com a consciência de que uma eliminação significava afastar a sua nação de uma Copa do Mundo num dos momentos mais dolorosos da sua história recente. Do outro, Viktor Gyökeres — o avançado que em dois anos ao serviço do Sporting marcou três golos ao próprio Trubin — prestes a repetir exactamente o mesmo número, desta feita com a camisola da Suécia. O futebol, quando escreve os seus libretos, não tem parcimónia.

🕊️

A Ucrânia disputou este jogo em terreno neutro — o Estádio Ciutat de Valência, em Espanha — uma vez que o país não recebe partidas internacionais desde a invasão russa em Fevereiro de 2022. Sem o apoio das bancadas de Kiev, a selecção de Serhiy Rebrov jogou longe de casa, num contexto que vai muito além do desportivo.

3 Golos de Gyökeres

6′ Primeiro golo — minuto

12 Part. Suécas em Mundiais

2018 Última presença sueca

Um Início Demolidor: Seis Minutos Bastaram

A Suécia entrou no jogo como se soubesse exactamente o que tinha de fazer. Sem hesitações, sem o nervosismo que marcou outras selecções nesta jornada de repescagem, os escandinavos instalaram-se no meio-campo adversário desde o apito inicial. Aos seis minutos — apenas seis —, Benjamin Nygren recebeu na esquerda, cruzou rasteiro para a área e Gyökeres empurrou para a baliza sem hipóteses para Trubin.

O golo cedo paradoxalmente complicou o plano sueco: a Ucrânia, forçada a reagir, assumiu maior posse de bola e tentou construir a partir de trás com Georgiy Sudakov a tentar ligar as linhas. A melhor oportunidade ucraniana do primeiro tempo surgiu curiosamente num desvio involuntário da própria defesa sueca a um cruzamento de Mykolenko — a bola passou muito perto da baliza de Nordfeldt, mas sem a direcção certa para representar perigo real. Por sua vez, Gudmundsson raspou na trave num remate cruzado que poderia ter aumentado ainda mais a vantagem antes do intervalo.

Uma exibição sublime de Viktor Gyökeres em Valência guiou a Suécia à vitória sobre a Ucrânia, com um hat-trick que deixou os ucranianos de fora do Mundial.


— UEFA, Resumo das meias-finais do play-off, 26 de Março de 2026

A Segunda Parte: Gyökeres Fecha o Caso

Se no primeiro tempo houve algum suspense sobre o desfecho, a segunda parte tratou de o dissipar rapidamente. Aos 51 minutos, numa jogada de grande eficácia colectiva, o guarda-redes Kristoffer Nordfeldt lançou longo após uma má abordagem de Zabarnyi. Gyökeres dominou dentro da área, cortou para o meio e rematou rasteiro ao canto, novamente sem qualquer hipótese para o guarda-redes do Benfica. O 2–0 era um veredicto severo mas justo.

17

⭐ Figura do Jogo · Hat-trick

Viktor Gyökeres — Arsenal FC

O avançado sueco de 26 anos, ex-Sporting CP, voltou a ser o pesadelo de Anatoliy Trubin — a quem já havia marcado três vezes durante a época em que os dois partilharam a liga portuguesa. Em Valência, repetiu o feito ao serviço da selecção: golo aos 6′, aos 51′ e penálti aos 71′. O melhor marcador do Arsenal em 2025/26 viveu, nas palavras da imprensa portuguesa, a sua ‘versão rolo-compressor’ mais avassaladora desde que deixou Alvalade.

O terceiro golo chegou aos 71 minutos e teve a assinatura inconfundível de um atacante que não perdoa. Gyökeres roubou a bola no meio-campo, avançou em velocidade em direcção à área e foi derrubado por Trubin numa saída precipitada do guarda-redes ucraniano. Penálti claro. O próprio avançado cobrou, rematou rasteiro para o canto direito — Trubin ainda tocou na bola, mas não o suficiente para a travar. Hat-trick concluído. 3–0. Jogo, set e partida.

Golos da Partida

⚽ 6′ — Suécia 1–0

Viktor Gyökeres (Assist: Nygren)

Cruzamento rasteiro de Nygren pela esquerda, Gyökeres empurra à boca da baliza

 

⚽ 51′ — Suécia 2–0

Viktor Gyökeres (Assist: Nordfeldt, guarda-redes)

Lançamento longo do guarda-redes; Gyökeres domina, corta para o meio e remata rasteiro ao canto

 

⚽ 71′ (pen.) — Suécia 3–0

Viktor Gyökeres — Hat-trick consumado

Trubin derruba Gyökeres na área; penálti convertido pelo próprio avançado, canto direito

 

⚽ 90′ — Suécia 3–1

Matvii Ponomarenko (Assist: Gutsulyak / Tsygankov)

Golo de honra na estreia pela selecção principal; cabeceamento após cruzamento da esquerda

Ponomarenko: A Única Nota Positiva Ucraniana

Aos 90 minutos, já com o resultado sentenciado, a Ucrânia teve pelo menos a consolação de ver um jovem talento estrear-se com um golo. Matvii Ponomarenko aproveitou um cruzamento vindo da esquerda após combinação entre Gutsulyak e Tsygankov e cabeceou para a baliza de Nordfeldt: 3–1. Era o mínimo que a honra ucraniana merecia numa noite difícil.

Sudakov — outro dos pilares do Benfica que esteve em campo — não conseguiu impor o seu jogo no meio-campo, sufocado pela organização defensiva sueca e pela intensidade que Gyökeres imprimiu ao jogo ofensivo adversário. Para Rebrov, a desilusão é grande: a Ucrânia tinha chegado a esta fase com a segunda melhor campanha do seu grupo nas eliminatórias, apenas atrás da França.

O ex-avançado do Sporting voltou a ser pesadelo para o guardião do Benfica, a quem havia marcado três vezes nos dois anos em que representou os verde e brancos — uma marca que igualou neste jogo ao serviço da selecção.


— A Bola, 26 de Março de 2026

Ligação Portuguesa ao Jogo

Não foram apenas Trubin e Sudakov do Benfica a marcar presença. Do lado sueco, Gustaf Lagerbielke — defesa-central do SC Braga — foi titular e cumpriu uma sólida exibição no centro da defesa escandinava. A arbitragem ficou a cargo do português João Pinheiro, assistido por Bruno Jesus e Luciano Maia, com Tiago Martins como VAR — uma equipa de arbitragem inteiramente nacional a dirigir um dos jogos mais importantes da noite europeia.

 

 

🇸🇪 Suécia

  • 1 Nordfeldt
  • 2 Johansson
  • 5 Hien
  • 6 Lagerbielke (SC Braga)
  • 3 Svensson
  • 8 Karlström
  • 10 Forsberg
  • 11 Larsson
  • 7 Elanga
  • 19 Bard­ghji
  • 17 Gyökeres ⚽⚽⚽ 🌟

Seleccionador: Jon Dahl Tomasson

🇺🇦 Ucrânia

  • 1 Trubin (SL Benfica)
  • 2 Konoplia
  • 44 Zabarnyi
  • 5 Matvienko
  • 3 Mykolenko
  • 6 Kaliuzhnyi
  • 10 Tsygankov
  • 8 Yarmoliuk
  • 14 Malinovskyi
  • 11 Sudakov (SL Benfica)
  • 9 Vanat

Seleccionador: Serhiy Rebrov

▶ Próximo Jogo

Polónia vs. Suécia — Final do Caminho B

31 de Março de 2026 · 15h45 (hora de Lisboa) · Local a definir · Jogo único
A Suécia enfrenta a Polónia de Robert Lewandowski (89 golos internacionais), que eliminou a Albânia por 2–1. O vencedor integrará o Grupo F da Copa do Mundo 2026, ao lado da Holanda, do Japão e da Tunísia.

Análise: Uma Máquina Chamada Gyökeres

Jon Dahl Tomasson construiu uma equipa equilibrada, com capacidade de transição rápida e com a inteligência colectiva de saber quando pressionar e quando recuar. Mas a grande diferença entre esta Suécia e a equipa que terminou na última posição do seu grupo de qualificação chama-se Viktor Gyökeres. O avançado do Arsenal, após uma campanha de qualificação sem golos, chegou ao momento decisivo e respondeu da forma mais contundente possível: com um hat-trick que deixou a Ucrânia sem respostas.

O próximo obstáculo é a Polónia — com Lewandowski a tentar chegar ao terceiro Mundial da carreira aos 37 anos — numa final única que se joga no mando polaco. A Suécia, que não vai a um Mundial desde 2018, onde chegou aos quartos-de-final, tem na forma avassaladora do seu centroavante o argumento mais poderoso para alimentar o sonho do regresso ao palco mais importante do futebol mundial.

Para a Ucrânia, fica a dor de uma eliminação que vai muito além do desportivo. Uma nação em guerra, que jogou longe de casa por razões que não escolheu, que viu alguns dos seus melhores jogadores brilhar nas maiores ligas europeias, mas que não conseguiu encontrar o caminho para o Mundial. O futebol, neste contexto, é apenas um reflexo do que um povo inteiro está a viver: a determinação de resistir, mesmo quando as circunstâncias tornam tudo mais difícil.

Fim do Artigo

Forest Entra pela Porta Grande em Londres e Humilha um Tottenham em Ruínas

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OTottenham Hotspur Stadium assistiu ontem a mais um episódio sombrio de uma temporada que se arrasta entre a frustração e a perplexidade. O Nottingham Forest, em plena corrida pelos lugares cimeiros da tabela, deslocou-se a Londres e saiu com uma goleada categórica por 3–0, impondo-se com uma eficácia cirúrgica que contrastou de forma gritante com a esterilidade ofensiva dos anfitriões.

Durante 90 minutos, o Tottenham teve a bola — 58% de posse —, gerou cantos aos pontapés (13 no total), mas não conseguiu transformar pressão em perigo real. Apenas dois remates enquadrados numa tarde inteira de jogo. Do outro lado, o Forest foi letal: oito remates, sete enquadrados, três golos. Uma dissertação sobre eficácia.

O Golpe ao Cair do Pano

A primeira parte foi de equilíbrio aparente, com o Tottenham a tentar impor-se pelo coletivo e o Forest a gerir com inteligência os espaços. Mas foi precisamente no momento em que os Spurs julgavam chegar ao intervalo empatados que o destino virou as costas à equipa da casa: no último suspiro da primeira parte, ao minuto 45, o Nottingham Forest abriu o marcador com um golo que gelou as bancadas e colocou o Tottenham numa posição incómodíssima.

 

Análise Tática · Campo Aberto

Ange Postecoglou reagiu logo no início do segundo tempo com duas substituições simultâneas, mas as mudanças não surtiram o efeito desejado. Ao minuto 62, o Forest dobrou a vantagem, aproveitando um erro defensivo dos Spurs para sentenciar de forma praticamente irreversível o resultado. O estádio começou a esvaziar-se antes do tempo.

Matz Sels e a Muralha do Forest

Se os golos do Nottingham Forest merecem destaque, não menos importante foi a solidez do guardião belga Matz Sels. Com quatro defesas realizadas, o guardião do Forest foi um obstáculo intransponível para Dominic Solanke, Randal Kolo Muani e companhia, todos incapazes de bater a sua baliza apesar das inúmeras tentativas. Sels foi o pilar que tornou possível um resultado que, visto de fora, poderia até parecer exagerado — mas que o jogo, na sua frieza, soube justificar.

Do lado contrário, o jovem guardião Antonin Kinsky pouco pôde fazer perante a eficácia do Forest, sofrendo três golos em apenas oito remates adversários. O rácio fala por si.

O Golpe de Misericórdia aos 87 Minutos

Para rematar a exibição, o Nottingham Forest marcou o terceiro golo ao minuto 87, quando o resultado já estava decidido há muito. O golo serviu para sublinhar a superioridade coletiva dos visitantes e para aprofundar a ferida de um Tottenham que, à saída do campo, ouviu os cânticos de descontentamento de uma claque que começa a perder a paciência.

Nesta fase da temporada, o Tottenham soma uma série preocupante de resultados negativos — derrotas para West Ham, Manchester United, Fulham e Crystal Palace, além de um humilhante 1–4 para o Arsenal. A vitória frente ao Manchester City por 2–2 e o empate em Liverpool parecem um longínquo fio de esperança numa teia de derrotas que se multiplica.

Principais Momentos

  • 45′NFOGolo no último lance da primeira parte. O Forest aproveita uma transição rápida e fura a defesa dos Spurs com frieza.
  •  
  • 46′🔄TOTDupla substituição de Postecoglou logo no arranque do segundo tempo, à procura da resposta.
  •  
  • 53′🟨NFOCartão amarelo ao Nottingham Forest num lance de alta intensidade.
  •  
  • 62′NFOSegundo golo do Forest. Erro defensivo dos Spurs explorado com precisão cirúrgica.
  •  
  • 82′🟨TOTAmarelo ao Tottenham, único cartão dos anfitriões no encontro.
  •  
  • 87′NFOGolo de sentença. O terceiro do Forest completa uma exibição memorável em Londres.

 

Onzes Iniciais

Tottenham Hotspur

  • Kinsky-GR
  • Dragusin-DEF
  • Udogie-DEF
  • Souza-DEF
  • Gray-DEF
  • Palhinha-MED
  • Bergvall-MED
  • Gallagher-MED
  • Simons-ATA
  • Solanke-ATA
  • Kolo Muani-ATA

Nottingham Forest

  • Sels-GR
  • Aina-DEF
  • Milenkovic-DEF
  • Morato-DEF
  • Netz-DEF
  • Yates-MED
  • Sangare-MED
  • Dominguez-MED
  • Ndoye-ATA
  • Awoniyi-ATA
  • Bakwa-ATA

O Que Vem a Seguir

O Tottenham não tem margem para mais deslizes. O próximo encontro leva os Spurs a defrontar o Sunderland a 12 de abril — curiosamente, os mesmos que ontem eliminaram o Newcastle. Uma missão que, à luz do que se viu hoje, não se adivinha nada simples para uma equipa à deriva.

Já o Nottingham Forest regressa a Nottingham de cabeça erguida e com três pontos valiosíssimos para a sua corrida ao topo da tabela. A equipa de Nuno Espírito Santo continua a demonstrar que esta temporada não é obra do acaso — é fruto de um coletivo coeso, disciplinado e com uma identidade de jogo clara.

O futebol inglês continua a surpreender. E o Forest, hoje, foi o seu protagonista mais improvável — e mais brilhante.

Sassuolo rouba um ponto inacreditável em Turim e paralisa a Juventus

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Num Allianz Stadium em silêncio de perplexidade ao apito final, a Juventus deixou escapar dois pontos preciosos ao empatar a um golo com o Sassuolo, equipa da décima posição da Serie A. Os bianconeri dominaram de forma avassaladora — sessenta e seis por cento da posse, dezoito remates, nove cantos — mas a ineficácia crónica na finalização voltou a assombrar a Vecchia Signora numa noite que prometia ser de conquista tranquila e se transformou num pesadelo táctico.

14’GOLO

⚽ JUVENTUS — 1–0

Dusan Vlahovic abre o marcador ao minuto catorze com uma finalização de classe. O sérvo encontra o espaço certo e confirma a superioridade bianconera no início do jogo.

 

52’GOLO

⚽ SASSUOLO — 1–1

Armand Laurienté, com toda a frieza e impudência de um jogador que não tem nada a perder, empata aos cinquenta e dois minutos numa jogada de contra-ataque fulminante. O Allianz Stadium fica em choque.

A JUVENTUS QUE DOMINA SEM MATAR

O guião estava escrito. A Juventus entrou no jogo com a autoridade de quem conhece o adversário e confiança para construir. Teun Koopmeiners e Fabio Miretti geriam o meio-campo com inteligência e Zhegrova ameaçava pela direita. O golo de Vlahovic ao minuto catorze parecia confirmar uma noite tranquila para os anfitriões — que acabara de sair vitoriosa de um Udinese difícil na ronda anterior.

Mas a Juventus desta temporada tem uma falha estrutural que os adversários conhecem cada vez melhor: domina, cria, avança — mas não mata. Com dezoito remates totais e oito enquadrados, os bianconeri deveriam ter o jogo encerrado muito antes do empate do Sassuolo. Jonathan David, Lois Openda e o próprio Vlahovic desperdiçaram oportunidades que, noutra noite, teriam enterrado o adversário ainda na primeira parte.

CRONOLOGIA DO JOGO

 

14′GOLO — Juventus (1–0): Vlahovic finaliza na área após combinação rápida. O Allianz respira.

 

52′GOLO — Sassuolo (1–1): Laurienté empata em contra-ataque. Silêncio no Allianz Stadium.

 

62′Dupla substituição — Juventus: Allegri responde com Jonathan David e Andrea Cambiaso em busca do golo da vitória.

 

64′Cartão Amarelo — Juventus: Tensão nas bancadas. O jogo começa a ficar crispado.

 

69′Dupla substituição — Sassuolo: Pinamonti e Volpato entram para ajudar a segurar o empate. Bloco defensivo neroverde reforçado.

 

74′Cartão Amarelo — Sassuolo: Foul deliberado no meio-campo para travar transição da Juventus.

 

79′Dupla substituição — Juventus: Mais mudanças de desespero. Kostic e Milik entram mas não conseguem alterar o marcador.

SASSUOLO — UMA OBRA-PRIMA DEFENSIVA

Se a Juventus protagonizou uma noite de frustração, o Sassuolo foi o oposto: uma obra-prima de disciplina táctica e eficácia clínica. Com apenas trinta e quatro por cento da posse de bola e cinco remates no total — apenas um enquadrado —, a equipa neroverde construiu uma muralha defensiva quase intransponível. Giacomo Satalino foi o herói individual da noite, com sete defesas que valeram o empate ao seu clube.

📊ESTATÍSTICA DO JOGO

O Sassuolo registou apenas um remate enquadrado em todo o jogo — e marcou com ele. A Juventus, com oito remates enquadrados, marcou apenas um. Esta assimetria brutal entre eficácia e domínio resume toda a frustração dos adeptos bianconeri no final do encontro.

— Análise pós-jogo · Allianz Stadium, Turim

03CONSEQUÊNCIAS NA CORRIDA AO TÍTULO

Este empate representa um golpe sensível nas ambições da Juventus na corrida à Serie A. Com cinquenta e quatro pontos, os bianconeri partilham o quinto lugar com o Como 1907 e vêem o Inter, líder com sessenta e oito, afastar-se ainda mais. A diferença de catorze pontos para o Inter torna o título uma missão praticamente impossível, e a equipa terá de se concentrar em assegurar uma das vagas às competições europeias — algo que, dados os resultados recentes, também não está garantido.

Para o Sassuolo, o empate é uma conquista histórica desta temporada. A equipa de Reggio Emilia, décima classificada com trinta e nove pontos, mostrou que tem carácter e qualidade para incomodar qualquer adversário — mesmo que a sua própria situação na tabela não inspire maiores ambições. Satalino, com sete defesas, terá uma noite para recordar toda a vida.

Ibrahima Bá decide com um cabeceamento que afunda ainda mais o Nacional na luta pela permanência

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No Estádio Municipal 22 de Junho, em plena tarde minhota de sábado, o FC Famalicão somou mais três pontos fundamentais para a sua luta por um lugar nas competições europeias, derrotando o CD Nacional por um golo a zero na jornada 27 da Liga Portugal Betclic. O golo — o único do encontro — surgiu aos 63 minutos pela cabeça de Ibrahima Bá, o defensor-central senegalês que se confirmou como figura inesperada de uma partida dominada pela contenção táctica e pela ansiedade de dois projectos em sentidos opostos na tabela.

⚽ FC FAMALICÃO — 1–0

Ibrahima Bá

O defensor senegalês sobe mais alto do que toda a defesa do Nacional e cabecea com precisão para o fundo das redes. Carevic não teve hipótese. O Municipal 22 de Junho explode em celebração.

UM JOGO EQUILIBRADO, MAS SEM CLAREZA

Durante a primeira parte, o encontro caracterizou-se pelo equilíbrio e por uma ausência quase total de momentos de perigo concreto. O Famalicão, com cinquenta e quatro por cento da posse de bola, tentava construir com paciência pelos corredores laterais, com Gil Dias e Sorriso a cruzarem com frequência para Elisor na área. Porém, a organização defensiva do Nacional — bem trabalhada por Tiago Margarido — travava sistematicamente as iniciativas dos anfitriões.

Os madeirenses, conscientes da sua fragilidade defensiva ao longo da temporada, tentavam aproveitar as transições rápidas com Lucas João e Gabriel Veron. Os visitantes até foram mais perigosos no número de remates enquadrados — seis contra quatro do Famalicão — mas faltou a finalização que tanto os tem iludido ao longo desta época.

CRONOLOGIA DO ENCONTRO

 

16′Cartão Amarelo — Nacional. Matheus Dias vê o amarelo numa falta sobre Gustavo Sá. Primeiros sinais de tensão no jogo.

 

40′Cartão Amarelo — Famalicão. Gustavo Sá é punido por contestação. Jogo muito equilibrado antes do intervalo.

 

43′Cartão Amarelo — Nacional. Lenny Vallier recebe amarelo por entrada dura. Os visitantes começam a acumular cartões.

 

63′GOLO — Famalicão (1–0). Ibrahima Bá sobe ao ataque e cabecea com precisão. O defensor-central marca o golo decisivo da partida.

 

77′Quádrupla substituição — Nacional. Margarido muda quatro jogadores de uma só vez na tentativa de procurar o empate. Baeza, Matheus Dias, Joel da Silva e Labidi saem.

 

78′Dupla substituição — Famalicão. De Amorim e Abubakar entram para fechar o resultado e gerir a vantagem nos minutos finais.

FAMALICÃO NA ROTA EUROPEIA

Para o Famalicão, esta vitória — a quarta consecutiva em casa — reforça a candidatura a uma vaga nas competições europeias da próxima temporada. Com quarenta e dois pontos, os famalicenses consolidam o sexto lugar da classificação e mantêm-se a uma distância razoável das posições de acesso à Conference League. O treinador da casa pode sorrir com a solidez defensiva da sua equipa: apenas vinte e dois golos sofridos em vinte e seis jornadas, uma das melhores marcas da Liga Portugal.

 

O Famalicão não foi brilhante, mas foi eficaz. Em futebol, por vezes é isso que basta — e Ibrahima Bá encontrou o momento certo para ser diferente.

— Análise pós-jogo · Estádio Municipal 22 de Junho

NACIONAL À BEIRA DO ABISMO

Para o CD Nacional, a derrota é mais uma pedra a carregar numa temporada que se aproxima do colapso. Os madeirenses, décimo sextos com apenas vinte e um pontos, estão agora a dois pontos do Casa Pia, que ocupa o último lugar de permanência. Com sete jornadas por disputar e uma equipa assolada por lesões e ausências — Ivanildo Fernandes, Filipe Soares e Ulisses Rocha entre os indisponíveis — a missão de Tiago Margarido parece cada vez mais hercúlea.

⚠️ZONA DE DESPROMOÇÃO — ALERTA VERMELHO

OCD Nacional está a apenas 2 pontos do Casa Pia, último na tabela. Com seis jogadores importantes indisponíveis por lesão ou suspensão, os madeirenses entram na fase decisiva da temporada com um plantel reduzido e uma margem de erro quase nula. A descida à Liga Portugal 2 é um cenário cada vez mais real.

Gabriel Veron, que antes do jogo prometera «encarar o Famalicão como uma guerra», ficou muito aquém do esperado, sem criar perigo real na frente. Lucas João, o melhor marcador do clube com treze golos, foi bem controlado pela defesa famalicense. As sete jornadas que restam serão decisivas para o futuro do clube da Madeira na elite do futebol português.

Osasuna derrota Girona com um golo tardio e coloca um fim à série negativa em El Sadar

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Em El Sadar, onde o ruído das bancadas é sempre capaz de fazer a diferença, o CA Osasuna venceu o Girona FC por um golo a zero num encontro disputado ao segundo da La Liga. Num jogo de posse partilhada — cinquenta por cento para cada lado — e de poucas ocasiões, foi a eficácia navarra a fazer justiça: Raúl García, com a autoridade dos seus veteranos anos de serviço ao clube, surgiu aos oitenta minutos para sentenciar um jogo que o Girona nunca conseguiu dominar na frente.

80′GOLO

⚽ CA OSASUNA — GOLO DECISIVO

Raúl García finaliza com frieza após jogada de combinação no interior da área. O veterano avançado navarro, com toda a sua experiência, não perdoa e decide o encontro a dez minutos do final. El Sadar explode em festa.

PRIMEIRO TEMPO: EQUILÍBRIO E POUCAS EMOÇÕES

O encontro começou como tantos duelos desta segunda metade da La Liga — cauteloso, táctico, com ambas as equipas a sondarem-se mutuamente antes de arriscar. O Osasuna, com Moi Gómez a ditar o ritmo pelo meio-campo e Kike Barja a ameaçar pela esquerda, foi gerindo a posse com parcimónia, enquanto o Girona de Thomas Lemar e Claudio Echeverri tentava aproveitar os espaços com transições verticais que raramente chegaram à conclusão.

O único cartão amarelo da primeira parte — exibido ao jogador do Girona aos trinta e nove minutos — foi o reflexo da tensão crescente de uma equipa visitante que não conseguia impor o seu jogo característico e recorria ao foul como travão. Aos olhos estatísticos, a igualdade era quase absoluta: meio-campo a meio-campo, sem que nenhum dos lados conseguisse criar oportunidades claras de golo.

CRONOLOGIA DO JOGO

 

39′Cartão Amarelo — Girona. Foul táctico no meio-campo. Os visitantes começam a mostrar nervosismo.

 

59′Cartão Amarelo — Osasuna. Entrada dura no sector médio. Equilíbrio de tensões entre as duas equipas.

 

60′Substituição — Girona. Reforço ofensivo para tentar desbloquear o jogo. Abel Ruiz entra à procura de diferença.

 

69′Substituição — Osasuna. Alteração táctica para gerir o meio-campo. Ante Budimir entra para reforçar o ataque.

 

75′Dupla substituição — Girona. Daley Blind e Lancinet Kourouma entram numa tentativa desesperada de mudar o jogo.

 

80′GOLO — Osasuna (1–0). Raúl García decide o jogo com uma finalização exemplar. El Sadar entra em erupção.

 

90′Cartão Amarelo — Osasuna. Nos descontos finais, a tensão manifesta-se novamente. O árbitro encerra o jogo com firmeza.

SEGUNDA PARTE: O GIRONA PRESSIONA, EL SADAR RESPONDE

Após o intervalo, o Girona saiu com outra intenção. As substituições multiplicaram-se e a equipa catalã aumentou o número de remates, mas deparou-se com um obstáculo inultrapassável: a baliza de Aitor Fernández. O guardião basco realizou uma exibição de alto nível, travando oito remates ao longo de todo o encontro e sendo o pilar que sustentou a resistência navarra nos momentos de maior pressão gironesa.

 

 

IMPACTO NA CLASSIFICAÇÃO

Com esta vitória, o Osasuna sobe ao nono lugar da La Liga com trinta e sete pontos — empatado com o Espanyol, que perdeu o seu jogo neste mesmo sábado frente ao Getafe. A equipa navarra vive um momento de relativa tranquilidade na tabela, bem afastada das zonas de descida e com margem para sonhar com um lugar nos lugares europeus se a consistência se mantiver.

O Girona, por seu lado, permanece no décimo terceiro lugar com trinta e quatro pontos. A exibição em Pamplona foi preocupante: quatro remates no total, nenhum enquadrado com a baliza de Aitor Fernández, e uma impotência ofensiva que contrasta com as boas exibições de início de temporada. Os Vermilions precisam urgentemente de recuperar a sua identidade atacante para não verem a segunda metade da época transformar-se num pesadelo.

Barcelona devasta o Newcastle com sete golos e avança para os quartos com um recital de futebol

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Há noites em que o futebol se transforma em arte. A quarta-feira em Barcelona foi uma dessas noites. O FC Barcelona recebeu o Newcastle United para a segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões e entregou ao seu público uma exibição que os adeptos catalães vão guardar durante muito tempo: sete golos, um primeiro tempo vibrante que chegou a estar empatado a dois, e uma segunda parte de futebol absolutamente devastador que afastou os ingleses da competição com uma contundência que não deixou margem para discussão.

O resultado final — 7–2 — é dos que se instalam na memória colectiva do clube. Não apenas pela magnitude do marcador, mas pela forma como foi construído: com verticalidade, criatividade, velocidade e uma capacidade de finalização que o Barcelona nem sempre tem conseguido mostrar nesta fase da competição. Lamine Yamal foi o grande artífice de uma noite em que o talento blaugrana brilhou com intensidade máxima.

«Sete golos. Treze remates enquadrados. Uma segunda parte de futebol total que sufocou completamente o Newcastle e revelou o melhor Barcelona da época.»

Análise Pós-Jogo

— Primeiro Tempo

Equilíbrio enganador: de 1–0 a 2–2 em 28 minutos

O início do jogo foi um aviso imediato das intenções do Barcelona. Ao minuto 6, ainda o Newcastle tentava encontrar o seu posicionamento no terreno, os blaugrana inauguraram o marcador numa acção rápida que começou nos pés de Pedri e terminou com a frieza característica de quem está habituado a marcar no mais alto nível europeu. O Estádio Olímpic Lluís Companys, lotado, celebrou com a convicção de que a noite seria longa.

Mas o Newcastle, ao contrário do que o marcador poderia sugerir, não veio a Barcelona render-se. Ao minuto 15, os magpies chegaram ao empate com um golo que surpreendeu a defesa catalã e reacendeu a crença dos adeptos ingleses que tinham viajado até Barcelona. A resposta do Barcelona foi imediata: ao minuto 18, apenas três minutos depois do empate, os blaugrana voltaram a liderar. O Newcastle, porém, não baixou os braços e alcançou novamente a igualdade ao minuto 28, colocando o marcador em 2–2 e criando um primeiro tempo de rara intensidade e emoção.

O final da primeira parte ficou marcado por dois cartões amarelos simultâneos — um para cada equipa ao minuto 44 e 45 — e por um golo crucial do Barcelona já nos descontos do primeiro tempo, ao minuto 45, que virou definitivamente a inercia da partida. A equipa de Hansi Flick foi para o intervalo com uma vantagem de 3–2 e com a crença de que a segunda parte lhes pertenceria inteiramente.

— Segundo Tempo

Rajada histórica: cinco golos em 31 minutos

O que se passou nos 45 minutos após o intervalo foi uma exibição de futebol que dificilmente se esquece. O Barcelona voltou dos balneários com uma intensidade ainda maior, como se a necessidade de gerir uma vantagem mínima de 3–2 tivesse libertado algo na equipa de Hansi Flick. Ao minuto 51, o quarto golo chegou para acalmar os ânimos dos adeptos catalães. Ao 56′, o quinto. Ao 61′, o sexto. Ao 72′, o sétimo.

Cinco golos em 31 minutos de segundo tempo. O Newcastle, que chegou ao intervalo ainda embrenhado no jogo, viu-se completamente engolido por uma onda azulgrana que não teve resposta. A equipa inglesa somou três cartões amarelos ao longo da partida — reflexo da frustração crescente perante uma equipa que parecia marcar de cada vez que tocava na bola — e viu Nick Pope ser superado repetidamente por remates que chegavam de todos os ângulos e com toda a qualidade.

Lamine Yamal foi irresistível. O jovem extremo espanhol, que continua a desafiar todas as noções convencionais sobre o que um jogador da sua idade pode fazer no mais alto nível, foi o principal catalisador da exibição blaugrana. Marcus Rashford, contratado no inverno ao Manchester United, também contribuiu com golos e assistências numa noite em que pareceu finalmente justificar plenamente a aposta do clube catalão. Pedri, omnipresente no meio-campo, ditou o ritmo com a maturidade que já se tornou a sua marca.

«Yamal foi simplesmente irresistível. Pedri controlou o jogo como se tivesse 35 anos de experiência. Esta é a geração mais talentosa do Barcelona desde Messi.»

Análise Táctica

63% Posse 37%

19 Remates Totais 9

13 Remates à Baliza 6

6 Cantos 2

9 Faltas 14

1Cartões Amarelos 3

5 Substituições 5

— Onzes Iniciais:

  • Szczesny, WojciechGuarda-redes
  • Araújo, RonaldDefesa
  • Cortés Moyano, ÁlvaroDefesa
  • GaviMédio
  • Casado, MarcMédio
  • Olmo, DaniMédio
  • PedriMédio
  • Bardghji, RoonyExtremo
  • Marques, TommyMédio
  • Rashford, MarcusAvançado
  • Yamal, LamineExtremo

  • Pope, NickGuarda-redes
  • Botman, SvenDefesa
  • Murphy, AlexDefesa
  • Hall, LewisDefesa
  • Livramento, TinoDefesa
  • Willock, JoeMédio
  • Murphy, JacobExtremo
  • Wissa, YoaneExtremo
  • Elanga, AnthonyExtremo
  • Neave, SeanAvançado
  • Osula, WilliamAvançado

Resultado Agregado · Oitavos de Final

FC Barcelona elimina Newcastle United

FC Barcelona qualifica-se para os quartos de final da UEFA Champions League 2025/26

2.ª Mão: FC Barcelona 7–2 Newcastle United · 18 de Março de 2026

— Análise

O Barcelona de Flick: velocidade, talento e fome de golo

Esta exibição confirma o que muitos já suspeitavam: o FC Barcelona de Hansi Flick é, neste momento, uma das equipas mais perigosas e mais emocionantes de toda a Europa. O estilo de jogo do treinador alemão — pressão alta, transições rápidas, verticalidade constante — encontrou em Lamine Yamal, Pedri e Dani Olmo um trio de criatividade que poucos adversários conseguem travar durante 90 minutos.

A contratação de Marcus Rashford, que chegou a Barcelona sem o brilho dos seus melhores anos no Manchester United, parece estar a ter o efeito esperado. O inglês marcou e assistiu nesta noite com uma desenvoltura e um entusiasmo que sugerem que a mudança de ares lhe fez muito bem. Ao seu lado, Tommy Marques e Roony Bardghji demonstraram que o clube catalão tem profundidade suficiente para vencer a Champions League com jogadores de qualidade também nos seus papéis secundários.

Para o Newcastle, a eliminação encerra uma aventura europeia admirável para um clube que regressa às grandes noites continentais depois de décadas de ausência. Os magpies marcaram dois golos no Camp Nou — um feito que nem todos os adversários conseguem —, mas a segunda parte revelou que, quando o Barcelona funciona a alta rotação, são poucos os que lhe conseguem resistir.

— Próximos Passos

Quartos de final: Barcelona defronta o Atlético de Madrid em Abril

A recompensa por esta noite memorável é um confronto de elevado prestígio nos quartos de final: o FC Barcelona enfrentará o Atlético de Madrid, que eliminou o Tottenham Hotspur. Um dérbi ibérico com uma intensidade garantida, num duelo entre dois dos clubes mais apaixonados de Espanha. As primeiras mãos estão marcadas para os dias 8 e 15 de Abril, prometendo um Abril europeu de alto nível para o futebol espanhol.

Depois desta noite em que o Barcelona recordou ao mundo do futebol o que é capaz de fazer quando está em dia de graça, a candidatura blaugrana ao título desta Champions League está mais credível do que nunca. O Estádio Olímpic Lluís Companys voltará a ser palco de noites europeias em Abril — e os adeptos catalães chegam ao sorteio dos quartos convictos de que a equipa de Hansi Flick tem tudo para ir longe nesta competição.

✦   ✦   ✦

FC Barcelona 7–2 Newcastle United · Estádio Olímpic Lluís Companys · 18 de Março de 2026 · UEFA Champions League, Oitavos de Final, 2.ª Mão

Noite épica no Olímpico: Bologna vira dois golos de desvantagem e elimina a Roma no prolongamento

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Num duelo todo-italiano para a história da Liga Europa, o Bologna FC foi a Roma, sofreu, reagiu com carácter extraordinário e eliminou a Giallorossi por 4–3 após prolongamento — avançando aos quartos-de-final com um agregado de 5–4 que ninguém esquecerá tão cedo.

 

Liga Europa UEFA · Oitavos de Final · 2.ª Mão 

AS Roma 3 – 4 Bologna FC

Após Prolongamento

Agg: 4–5 · Bologna Qualificado

⚽ Primeira mão (12 Mar, Bologna): Bologna 1–1 AS Roma  |  Golos: Federico Bernardeschi (50′) · Lorenzo Pellegrini (71′)













Min. Marcador Equipa Assistência / Nota
22′ Jonathan Rowe Bologna Ataque rápido
32′ Evan N’Dicka AS Roma Canto / ressalto
45+2′ Federico Bernardeschi Bologna Grande penalidade
58′ Santiago Castro Bologna
69′ Donyell Malen AS Roma Grande penalidade
80′ Lorenzo Pellegrini AS Roma
111′ Nicolò Cambiaghi Bologna Golo decisivo no prolongamento

📊 O número que conta a história

  • 🏆 O Bologna permanecia invicto em 10 jogos europeus consecutivos — o melhor registo da história do clube.
  • ⚽ 7 golos em 120 minutos num duelo todo-italiano de Liga Europa — uma eliminatória extraordinária.
  • 🔄 O Bologna chegou a estar a perder 1–3 no agregado e virou para 5–4 — uma remontada histórica.
  • 🎯 Donyell Malen somou 6 golos na Liga Europa esta época — melhor marcador da Roma na competição.
  • 📅 63.908 adeptos no Estádio Olímpico testemunharam uma das noites mais dramáticas da Liga Europa.

Haverá quem jure que o Estádio Olímpico nunca viveu uma noite assim — e que o futebol raramente é capaz de tanta crueldade e tanta beleza ao mesmo tempo. O Bologna FC chegou a Roma carregando uma desvantagem que parecia insuperável, voltou a estar em desvantagem no marcador durante quase todo o encontro, e ainda assim encontrou dentro de si a força para marcar quatro golos — o último aos 111 minutos do prolongamento — e eliminar a AS Roma num jogo que ficará gravado na memória de todos os que o viveram. Cinco golos de agregado para o Bologna, quatro para a Roma. Uma eliminatória que o desporto não podia ter inventado melhor.

A primeira mão, disputada uma semana antes em Bolonha, tinha terminado com o empate a um golo. Bernardeschi abriu o marcador aos 50 minutos com um remate de classe assinalável; Lorenzo Pellegrini, capitão da Roma, restabeleceu a igualdade aos 71 minutos numa das suas actuações mais sólidas da temporada. Nenhum dos dois clubes podia estar satisfeito — a eliminatória estava em aberto, o Olímpico prometia ser o palco da decisão, e nenhum treinador dormiu descansado durante a semana.

«Sabíamos que seria uma noite muito difícil. A Roma é uma equipa de grande experiência europeia. Mas acreditámos até ao fim. Este grupo tem algo de especial.»— Vincenzo Italiano, treinador do Bologna FC

✦ ✦ ✦

O começo do segundo jogo foi um soco para a Roma: Jonathan Rowe, o veloz extremo galês que tem sido uma das revelações da temporada no Bologna, abriu o marcador logo aos 22 minutos com um remate fulminante após um contra-ataque vertiginoso. O agregado estava empatado a dois e a Romano tinha pela frente o espectro de sair eliminada em casa. Gasperini, treinador da Roma, tentou ajustar de imediato — Pellegrini aqueceu, El Shaarawy recuou — mas a equipa demorou a encontrar equilíbrio.

Aos 32 minutos, no entanto, num canto trabalhado que a Roma tantas vezes ensaiou esta temporada, Evan N’Dicka — o defesa franco-guineense que tem sido um dos melhores jogadores dos Giallorossi nos últimos dois anos — cabeceou com precisão para empatar. O Olímpico rugiu. O agregado passava a ser de 3–2 para a Roma, e a eliminatória parecia agora controlada pelos donos da casa.

O que ninguém esperava era o que aconteceu nos minutos finais da primeira parte. Uma disputa dentro da área levou o árbitro romeno Istvan Kovacs — que dirigiu toda a noite de forma segura e consistente — a assinalar grande penalidade para o Bologna. Bernardeschi, que já tinha marcado na primeira mão com um golo soberbo, não tremeu na marca dos onze metros e converteu com frieza absoluta. Ao intervalo, o agregado estava empatado a três, e a eliminatória tinha sido completamente invertida em relação ao que mostrava há apenas vinte minutos.

✦ ✦ ✦

A segunda parte começou com a Roma a empurrar desesperadamente. Gasperini lançou Lorenzo Pellegrini logo de início, substituindo El Shaarawy, e a pressão começou a fazer-se sentir. Foi nesse contexto que Santiago Castro, o pujante avançado argentino do Bologna, perpetrou o golo mais devastador da noite: recebeu a bola de costas, rodou com elegância e rematou colocado para o fundo das redes de Mile Svilar aos 58 minutos. O agregado pendeu subitamente para 5–3 a favor do Bologna — e o Olímpico ficou em silêncio perturbador.

A Roma respondeu com o coração. Donyell Malen — o avançado holandês que chegou de Aston Villa em Janeiro e se tornou rapidamente no jogador mais decisivo dos Giallorossi — foi derrubado dentro da área e converteu o penálti resultante aos 69 minutos com a serenidade de quem carrega esta equipa às costas. 3–3 no agregado, Bologna ainda na frente por 5–4 na soma dos golos. Tudo dependia de um único golo.

«Nunca parámos de acreditar. Sofremos, mas cada vez que a Roma marcava, respondemos. É isso que este grupo é capaz de fazer — não desistir jamais.»— Remo Freuler, médio do Bologna FC

O golo que igualaria o agregado chegou aos 80 minutos. Lorenzo Pellegrini, com a habilidade e o talento que o tornaram capitão desta Roma, rematou com precisão para fazer 3–3 no marcador da noite e igualar o cômputo global a 4–4. O Olímpico explodiu em euforia: 63.908 almas em delírio absoluto. A eliminatória estava novamente empatada, e o prolongamento tornava-se inevitável.

✦ ✦ ✦

Os 30 minutos extra foram um teste de resistência física e mental para ambas as equipas. A Roma, com mais posse de bola durante toda a noite (60,7% contra 39,3%), pareceu a equipa mais esgotada no início do prolongamento, ao passo que o Bologna — mais compacto, mais directo, mais fresco nos apoios físicos — continuou a tentar explorar os espaços com transições rápidas. Gasperini lançou as suas últimas cartas: Devyne Rensch entrou na lateral, Robinio Vaz foi chamado ao ataque. Mas o ritmo estava a favorecer os visitantes.

Aos 111 minutos, numa jogada que resumiu toda a noite, o Bologna construiu o golo que decidiu a história. Riccardo Orsolini, que tinha sido um dos mais perigosos na segunda parte com um remate que quase entrou, serviu Nicolò Cambiaghi — o extremo que entrou como suplente no segundo tempo — com um passe milimétrico. Cambiaghi controlou, isolou-se de Mancini e rematou com a segurança de quem sabia que estava a marcar um dos golos mais importantes da história recente do seu clube. 4–3 no marcador. 5–4 no agregado. O Bologna estava nos quartos-de-final da Liga Europa.

Os últimos minutos foram de agonia pura para a Roma. Mancini e Wesley tentaram tudo, mas a defesa do Bologna — liderada por um formidável Jhon Lucumí — resistiu até ao apito final de Kovacs. Quando o árbitro encerrou o encontro, os jogadores do Bologna abraçaram-se no centro do campo do Estádio Olímpico numa cena de pura catarse. Do outro lado, Gasperini, Pellegrini e Malen ficaram imóveis, incapazes de processar uma eliminação que ninguém no balneário julgava possível depois dos 80 minutos.

✦ ✦ ✦

Para o Bologna de Vincenzo Italiano, esta vitória representa a continuação de um percurso europeu histórico — a equipa de Emília-Romanha permanece invicta em dez jogos consecutivos na Liga Europa, o melhor registo de sempre do clube, ultrapassando uma marca que datava dos anos 60. Nos quartos-de-final, aguarda o vencedor do confronto entre a Aston Villa e o Lille, uma eliminatória que os ingleses venceram graças a uma defesa providencial de Emiliano Martínez. Para a Roma, resta digerir uma noite que prometia glória e entregou tragédia — numa temporada em que os Giallorossi continuam a lutar pela qualificação para a Champions League na Serie A, e que agora perdem o único palco europeu onde ainda competiam. Gasperini terá um trabalho ingrato de reconstrução emocional nos próximos dias.

🟥🟨 Disciplina

  •  Vários jogadores de ambas as equipas — acumulação de cartões amarelos ao longo do prolongamento
  •  Árbitro: Istvan Kovacs (Roménia) — dirigiu o encontro com firmeza e sem grandes polémicas

Ficha Técnica

  • Competição:Liga Europa UEFA 2025/26 — Oitavos de Final (2.ª Mão)
  • Data:19 de Março de 2026
  • Local:Estádio Olímpico, Roma, Itália
  • Resultado:AS Roma 3–4 Bologna FC (após prolongamento)
  • Agregado:4–5 (Bologna qualificado)
  • Árbitro:Istvan Kovacs (Roménia)
  • Espectadores:63.908
  • Próxima fase:Aston Villa ou Lille (Quartos-de-Final)

XI Inicial — AS Roma (3-4-2-1)

  • GR:Mile Svilar
  • Defesa:Gianluca Mancini, Evan N’Dicka, Mario Hermoso
  • Médio:Kouadio Koné, Bryan Cristante, Zeki Çelik, França
  • Meia:Niccolò Pisilli, Stephan El Shaarawy
  • Avançado:Donyell Malen
  • Treinador:Gian Piero Gasperini

XI Inicial — Bologna FC (4-3-3)

  • GR:Federico Ravaglia
  • Defesa:Nadir Zortea, Jhon Lucumí, Martin Vitík, Charalambos Lykogiannis
  • Médio:Lewis Ferguson, Remo Freuler, Tommaso Pobega
  • Ataque:Jonathan Rowe, Santiago Castro, Federico Bernardeschi
  • Treinador:Vincenzo Italiano

Ausências de Relevo

  • AS Roma:Paulo Dybala (joelho), Evan Ferguson (lesão), Zeki Çelik (saiu lesionado ao intervalo)
  • Bologna:Łukasz Skorupski (dúvida — lesão no tendão — substituído por Ravaglia), Juan Miranda (suspensão UEFA)