Bayern humilha o Bernabéu com dois raios antes do intervalo e sai de Madrid com vantagem preciosa

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Os bávaros aproveitaram dois momentos-chave nos minutos 41 e 46 para desfazerem o Real no seu próprio reduto. O tento tardio dos merengues cria uma frágil esperança para a segunda mão na Allianz Arena.

O Santiago Bernabéu, templo do futebol europeu, assistiu ontem a uma noite de pesadelo. O Bayern de Munique chegou a Madrid, dominou sem hesitação e saiu com uma vitória por 2–1 que coloca o Real Madrid encostado à parede antes da segunda mão na Allianz Arena.

Tudo começou com um jogo aparentemente equilibrado. O Real Madrid, ainda sem Vini Jr. por lesão, procurava construir pelas alas com Brahim Díaz e García, enquanto o Bayern, organizado e preciso, aguardava o momento certo para atacar. Jude Bellingham tentou imprimir ritmo ao meio-campo merengue, mas os bávaros não lhe deram espaço.

O cartão amarelo mostrado a um jogador do Real Madrid aos 36 minutos foi o prenúncio da tempestade que se seguiu. Cinco minutos depois, o trovão: o Bayern marcou o primeiro golo. A bancada ficou em silêncio. E quando ainda não se tinha recomposto, logo aos 46 minutos — logo no arranque da segunda parte — chegou o segundo. Dois golos em cinco minutos devastaram psicologicamente os jogadores e os adeptos do Real Madrid.

 

‘Trabalhámos muito para este momento. Sabíamos que se conseguíssemos marcar antes do intervalo, o jogo mudaria completamente. Executámos o plano na perfeição.’

— Vincent Kompany, treinador do Bayern München

A Ressurreição Fugaz dos Merengues

Carlo Ancelotti, num gesto de desespero calculado, lançou dois jogadores frescos ao intervalo. O Real Madrid cresceu, começou a recuperar bolas no meio-campo e Bellingham voltou a ter influência no jogo. Aos 62 minutos, Ancelotti arriscou dupla substituição — uma aposta numa pressão alta que até deu frutos.

Aos 74 minutos, o Bernabéu finalmente rugiu. Um golo de González reduziu para 1–2 e reacendeu a esperança de uma remontada histórica. O Real Madrid teve ainda 21 remates ao longo de toda a partida — o dobro dos registos habituais — numa prova de que dominou territorialmente, sobretudo na segunda parte. Mas domínio sem eficácia é apenas estatística.

Do outro lado, o Bayern mostrou precisão cirúrgica: apenas 4 remates enquadrados, mas dois golos. Uma eficácia devastadora. Manuel Neuer esteve seguro nas poucas situações em que foi exigido, e a defesa bávara — com Kim Min-jae sólido no centro — nunca cedeu ao nervosismo, mesmo com o Bernabéu em erupção após o golo merengue.

🟨

NOTA DISCIPLINAR — BAYERN COM 4 AMARELOSOs bávaros terminaram a partida com quatro cartões amarelos acumulados (71′, 77′, 82′, 86′), numa postura que levantou críticas. A agressividade defensiva germânica foi o preço de segurar o resultado. Dois jogadores estão em risco de suspensão para a segunda mão.


Cronologia do Jogo

1′🏟️

Início do jogo — Bernabéu em êxtase. Bellingham tenta organizar o ataque merengue desde o primeiro minuto.

36′🟨

Cartão Amarelo — Real Madrid — Primeira advertência da noite. O Bayern começa a sentir que pode explorar os espaços.

41′

GOLO — Bayern München (0–1)! Os bávaros abrem o marcador em pleno Santiago Bernabéu. O silêncio instala-se nas bancadas merengues.

45′🔔

Intervalo: Real Madrid 0–1 Bayern. Os locais precisam de reagir — mas os seguintes cinco minutos serão os piores da noite.

46′

GOLO — Bayern München (0–2)! Logo no arranque da segunda parte, o Bayern duplica a vantagem. O Bernabéu fica em estado de choque.

62′🔄

Dupla Substituição — Real Madrid: Ancelotti aposta tudo. Dois jogadores frescos entram para tentar a reviravolta.

69′🔄

Dupla Substituição — Bayern: Kompany gere a vantagem e introduz frescura para manter o ritmo defensivo.

71′🟨

Cartão Amarelo — Bayern München — 1.º de quatro cartões bávaros na segunda parte. A equipa germânica começa a endurecê-lo.

74′

GOLO — Real Madrid (1–2)! García reduz para os merengues. O Bernabéu explode. Ainda há esperança de mais quinze minutos dramáticos.

77′🟨

Cartão Amarelo — Bayern München — 2.º cartão. Os bávaros tentam travar as incursões do Real a qualquer custo.

82′🟨

Cartão Amarelo — Bayern München — 3.º cartão consecutivo bávaro em onze minutos. A dureza cresce com o nervosismo.

86′🟨

Cartão Amarelo — Bayern München — 4.º amarelo! Dois jogadores ficam em risco de suspensão para a segunda mão na Allianz Arena.

90′🏁

Fim do jogo. Bayern Munique vence em Madrid por 1–2. Missão parcialmente cumprida para os bávaros.

Com esta derrota, o Real Madrid enfrenta agora uma montanha a escalar. Para se qualificar, terá de vencer o Bayern Munique por dois golos de diferença na Allianz Arena — um cenário que aconteceu em edições passadas da Champions, mas que as probabilidades colocam como improvável: apenas 20% de hipóteses para os madridistas.

‘O resultado dói. Marcámos e acreditámos, mas dois golos em cinco minutos são difíceis de encaixar. Vamos a Munique para fazer história — já o fizemos antes.’

— Jude Bellingham, capitão do Real Madrid

A segunda mão disputa-se na próxima quarta-feira, 15 de abril, na Allianz Arena. O Bayern parte como grande favorito ao apuramento, com 60,8% de probabilidade de chegar às meias-finais. Para o Real Madrid, restam a tradição e a mística de um clube que já protagonizou remontadas impossíveis. Mas desta vez, o desafio é verdadeiramente monumental.

▶ PRÓXIMO ENCONTRO · 2.ª MÃO · 15 ABRIL 2026

Bayern München vs Real Madrid

Allianz Arena, Munique · 21h00 (hora de Lisboa)

Prob. Bayern (apurar)

60,8%

Real Madrid: 20% · Empate/prolongamento: 19,2%

Arsenal rouba a vitória a Alvalade nos minutos finais e deixa Sporting em apuros

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Os ‘Gunners’ sofreram durante noventa minutos mas contaram com o fado dos descontos para sair de Lisboa com uma vantagem preciosa rumo ao encontro da segunda mão em Inglaterra.

O Estádio José Alvalade viveu uma noite de paixão e sofrimento. O Sporting CP trabalhou, lutou e chegou a merecer empate ou até mais — mas foi o Arsenal que, no segundo minuto do tempo adicional, fez calar as bancadas verdes e brancas com o único golo da partida.

A equipa de Ruben Amorim entrou em campo determinada a surpreender os londrinos. Os leões apostaram num bloco médio organizado, procurando explorar a profundidade com Francisco Trincão e Maxi Araujo em transições rápidas. O Arsenal, com 58% de posse de bola ao longo do jogo, exerceu a sua supremacia territorial mas encontrou uma linha defensiva leonina bem posicionada e disciplinada.

Nos primeiros quarenta minutos, o jogo foi equilibrado. O Sporting surgiu com três remates enquadrados — os mesmos do Arsenal no primeiro tempo — e as balizas de Rui Silva e David Raya estiveram igualmente ameaçadas. Um cartão amarelo mostrado ao central Ousmane Diomandé, aos 31 minutos, complicou ligeiramente a vida da defesa leonina para o resto da noite.

 

‘Trabalhámos para este resultado durante semanas. Sabíamos que o Arsenal é uma equipa de grande qualidade, e ficámos muito perto de lhes negar os três pontos. Agora temos de ir a Londres sem medo.’

— Adão Martins, capitão do Sporting CP

Na segunda parte, Arteta introduziu maior intensidade ofensiva, com Martin Ødegaard a orquestrar o jogo a partir do meio-campo. Kai Havertz e Gabriel Jesus criaram vários lances de perigo, mas o guarda-redes Rui Silva respondeu com quatro defesas ao longo do encontro — tantas como o seu homólogo David Raya do lado inglês. O Sporting mostrou, assim, que nunca abdica de jogar futebol, mesmo diante de um dos conjuntos mais poderosos da Europa.

Aos 70 minutos, Arteta recorreu ao banco para introduzir frescura. Christian Nørgaard e Leandro Trossard ganharam minutos, enquanto o Sporting respondia com substituições táticas aos 62 e 79 minutos. O empate parecia o resultado mais justo — mas o futebol raramente se rege pela justiça.

No segundo minuto do tempo adicional, num lance de pressão inglesa na área portuguesa, o Arsenal marcou o golo que vale ouro antes da segunda mão. A bancada visitante delirou. As famílias sportinguistas, que tinham aguentado mais de noventa minutos de emoção, saíram de cabeça baixa, mas com a consciência de que a equipa deu tudo.


Principais Eventos

1′🟢Início do jogo — Alvalade a rebentar em apoio aos leões. Sporting pressiona desde o apito inicial.

 

31′🟨Cartão Amarelo — Diomandé (Sporting) — O central camaronês faz falta sobre Gabriel Jesus e vê o amarelo de Jorge Sousa.

 

45′🔔Intervalo: Sporting 0–0 Arsenal. Jogo muito equilibrado com ambas as equipas à procura do primeiro golo.

 

62′🔄Substituição — Sporting: Ruben Amorim mexe no meio-campo à procura de maior criatividade.

 

70′🔄Substituição — Arsenal: Arteta aposta em Trossard e Nørgaard para intensificar a pressão ofensiva inglesa.

 

76′🔄Dupla Substituição — Arsenal: Dois reforços entram simultaneamente para os ‘Gunners’.

 

79′🔄Substituição — Sporting: Segunda mexida leonina na tentativa de segurar o empate.

 

90′GOLO — Arsenal (0–1)! Nos descontos, o Arsenal encontra a rede e rouba a vitória de Alvalade numa noite de elevada tensão.

Apesar da derrota, o Sporting tem razões para acreditar. O clube de Alvalade mostrou que pode competir com as melhores equipas do continente. Com três remates enquadrados — o mesmo número do Arsenal no que à ameaça à baliza diz respeito — os leões só pecaram na eficácia. Rui Silva foi um dos melhores em campo.

A segunda mão disputa-se no Emirates Stadium, em Londres, na próxima quarta-feira, 15 de abril. O Sporting precisa de marcar em Inglater­ra para ter hipóteses de inversão. As probabilidades sorriem ao Arsenal — 68,4% de chances de apuramento —, mas o futebol já nos ensinou que o impossível é apenas aquilo que ainda não aconteceu.

‘Acredito que vamos a Londres e fazemos história. Este grupo nunca desistiu e esta derrota dói, mas não nos quebra.’

— Hidemasa Morita, médio do Sporting CP

O Sporting vai a Londres com uma desvantagem mínima, mas com o orgulho intacto. Alvalade aplaudiu de pé a equipa no final. E talvez seja esse o sinal mais poderoso desta noite europeia: a confiança de um povo que ainda acredita nos seus leões.

Próximo Encontro · 2.ª Mão · 15 Abril 2026

Arsenal FC vs Sporting CP

Emirates Stadium, Londres · 21h00 (hora de Lisboa)

Prob. Arsenal (apurar)

68,4%

Sporting: 12,5% · Empate: 19,1%

O Son Moix explode: Mallorca derrota o Real Madrid com dois golos que abanam a Liga

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Num jogo onde o Real Madrid dominou com 64% de posse mas nunca conseguiu travar o sangue-frio mallorquino, a equipa das ilhas consumou uma das surpresas da temporada — golo do empate aos 88 minutos pelo Madrid, resposta devastadora do Mallorca aos 90, vitória final por 2–1.

O Real Madrid, segundo classificado e a tentar manter a pressão sobre o Barcelona, saiu de Maiorca de mãos a abanar depois de uma derrota tão dolorosa quanto improvável nos números: mais posse, mais remates, mais cantos — e menos golos. O Mallorca, com apenas 36% de bola e cinco remates no total, venceu com plena justiça de espírito, mesmo que os números puros contem outra história.

A tarde começou em modo de resistência para os locais. Jude Bellingham, Vinicius Júnior e Arda Güler combinaram ao longo dos primeiros 40 minutos numa toada que parecia preparar o golo visitante. Mas a defensiva do Mallorca, com Valjent e Kumbulla irrepreensíveis na retaguarda, resistiu à maré branca com disciplina e concentração absolutas.

Primeiro golo aos 42′ — Son Moix enlouquece antes do intervalo

Quando o relógio marcava os 42 minutos e o Son Moix já esbravejava com uma equipa que parecia condenada a sofrer, o Mallorca arrancou numa das suas raras transições ofensivas com Muriqi e Abdon. O avançado kosovar, temível no ar e nas segundas bolas, aproveitou uma indefinição da defesa madridista para rematar com força e inaugurar o marcador. O estádio explodiu. Era uma bofetada no Real Madrid — e no rácio do jogo.

A equipa de Carlo Ancelotti foi para o intervalo atordoada, consciente de que tinha dominado o jogo mas que o Mallorca estava a ganhar. Ao intervalo, a conversa nos balneários tinha a urgência de quem sabe que o tempo é escasso.

OMallorca fez exactamente o que um candidato à manutenção deve fazer quando recebe o segundo classificado: defendeu com alma, atacou com veneno, e nunca baixou os braços.

— ANÁLISE PÓS-JOGO · SON MOIX

Madrid lança três substituições aos 59′ — e ainda assim não chega

Ancelotti não esperou mais. Ao minuto 59, três substituições simultâneas sacudiram o banco merengue: Mastantuono, Garcia e Palacios entraram para adicionar frescura e criatividade. O Real Madrid passou a pressionar de forma mais intensa, e a posse já elevada — 64% no total — tornou-se ainda mais sufocante. O Mallorca recuou, organizado, deixando apenas os contra-ataques a Asano e à velocidade de Kalumba.

O tempo passava, os madridistas acumulavam remates — seis à baliza, quinze no total —, e Leo Román, o guarda-redes do Mallorca, foi o herói silencioso de uma tarde épica, com cinco defesas que mantiveram a vantagem. Parecia que Mallorca aguentaria até ao apito final.

O drama dos últimos dois minutos: dois golos, uma viagem à loucura

Aos 88 minutos, quando a resistência mallorquina parecia ser suficiente, Jude Bellingham surgiu numa jogada de classe individual para nivelar o marcador — 1–1. O Son Moix calou-se por instantes. Era o empate que parecia salvar o Madrid da vergonha e deixar o Mallorca sem nada. Dois minutos de desespero aguardavam-se.

Mas o futebol escreve-se com tinta de surpresa. Aos 90 minutos, numa jogada construída na velocidade e no pânico defensivo visitante, o Mallorca aproveitou uma perda de bola a meio-campo do Real Madrid para lançar um contra-ataque cirúrgico. O golo entrou. 2–1. O Son Moix explodiu numa erupção de alegria que demorou minutos a serenar. No banco visitante, o silêncio era ensurdecedor.

O árbitro ainda exibiu dois cartões amarelos nos instantes finais — um para cada equipa — numa tarde que terminou exactamente como começou: com o Mallorca a não se vergar ao peso do nome adversário.

Impacto na corrida ao título

Esta derrota — a quinta da temporada para o Real Madrid — é um golpe significativo na corrida ao título. O Barcelona lidera com 76 pontos, e a diferença para os merengues alarga-se agora para sete pontos. Com sete jornadas por disputar, o caminho começa a estreitar-se para quem vestiu branco em Maiorca e não soube aproveitar a superioridade em campo.

Para o Mallorca, que ocupa o 17.º lugar com 31 pontos, esta vitória vale ouro na luta pela manutenção. Três pontos que chegam no momento certo, com uma mentalidade que demonstrou que a divisão não está perdida para os insulares. O Son Moix viveu, neste 4 de Abril, uma tarde que os seus adeptos recordarão por muito tempo.

Kovář e os Leões Checos ressuscitam de 20 anos de silêncio mundialista

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Depois de 120 minutos de pura tensão no Epet Arena de Praga, foi Matěj Kovář a esticar o braço direito e a defender o penálti de Dreyer que mandou a Dinamarca para casa. A República Checa regressa ao Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 2006, após uma noite de agonia, ressurreição e glória nos onze metros.

Oguarda-redes mergulhou para a direita. A bola foi por ali também, mas a mão de Matěj Kovář estava lá primeiro. Anders Dreyer ficou de joelhos no relvado do Epet Arena, e Praga explodiu numa euforia que há muito não se via na capital checa. A República Checa está no Mundial 2026 — pela primeira vez em 20 anos, pela segunda vez como nação independente — após uma das noites mais longas e tortuosas que a história da repescagem europeia alguma vez conheceu.

O resultado final diz 2-2, com a República Checa a vencer nos penáltis por 3-1. Mas os números não contam nem metade da história de uma partida que passou por quatro golos marcados em momentos cirúrgicos, um prolongamento de alta tensão, e uma série de grandes penáltis que farão história nos dois países. Os dinamarqueses foram superiores em muitos momentos, mas a frieza checa — e a mão milagrosa de Kovář — acabou por ser mais decisiva do que o talento de Hójlund, Eriksen e Damsgaard.

Kovář mergulhou para a direita. A bola foi por ali também. Mas a mão do guarda-redes estava lá primeiro — e Praga explodiu.

O Golo Mais Rápido do Torneio

Mal o apito do árbitro soou para o início da partida, a República Checa deixou o mundo do futebol de boca aberta. Logo aos 3 minutos, num canto cobrado pela esquerda que a defesa dinamarquesa afastou parcialmente, a bola sobrou na risca da grande área para Pavel Šulc. O médio do Brighton não hesitou: rematou de primeira com o pé direito, e a bola incrustou-se no ângulo superior direito de Hermansen sem hipótese de defesa. Um golo espectacular, de encher o olho, que acordou de golpe o Epet Arena e deixou a Dinamarca em estado de choque.

Os dinamarqueses reagiram com a qualidade que os caracteriza. Hójlund — artilheiro das eliminatórias com seis golos e em excelente forma no Nápoles na Serie A italiana — tentou fazer diferença pela direita, enquanto Damsgaard e Isaksen criavam situações de perigo pelos flancos. A defesa checa, com Hranáč e Krejčí a formarem um bloco compacto, resistiu com determinação. Ao intervalo, os checos lideravam por 1-0, numa vitória do pragmatismo sobre o talento.

120′Minutos de Jogo

4Golos no Total

20Anos de Ausência

3–1Resultado Penáltis

Andersen Empata, Prolongamento e Mais Drama

A segunda parte pertenceu à Dinamarca. Brian Riemer fez ajustes tácticos no intervalo, e a equipa nórdica ganhou outra dimensão com a entrada de Eriksen, que passou a ditar o ritmo do jogo com a sua visão e classe inimitáveis. Aos 72 minutos chegou o empate inevitável: Damsgaard cobrou uma falta perfeita para a área, e Joachim Andersen surgiu a cabecear com força para o fundo das redes, aproveitando uma saída de Kovář menos feliz do que o habitual. 1-1 e 30 minutos de prolongamento à vista.

O prolongamento foi de ensandecer. Aos 100 minutos, num bate-rebate na pequena área dinamarquesa após um escanteio, Ladislav Krejčí rematou de primeira com a perna esquerda para o fundo das redes. O capitão checo — herói também na vitória sobre a Irlanda — voltava a ser decisivo num momento de máxima tensão. Mas a Dinamarca não desistiu. Aos 111 minutos, com o jogo quase a terminar, o recém-entrado Kasper Høgh — num estreia inesquecível pela selecção, o seu primeiro golo de sempre pela Dinamarca — cabeceou de forma poderosa para o ângulo superior após cruzamento de Dreyer num canto. 2-2. Penáltis.

Kovář, o Guardião que Reescreveu a História

Hójlund foi o primeiro a bater para a Dinamarca. O avançado do Nápoles — o mais cobiçado da formação dinamarquesa — rematou com força, mas a bola ricocheteou na trave e voltou ao relvado. Um augúrio terrível para os escandinavos. Do lado checo, Chory e Souček converteram sem tremuras. Eriksen manteve a Dinamarca viva com uma cobrança impecável. Mas Kovář travou o penálti de Dreyer, e Jensen — que precisava de marcar para igualar — mandou a bola para fora. Sadílek rematou para o fundo da baliza e Praga entrou em delírio. 20 anos de espera desapareceram numa fracção de segundo.

Para a Dinamarca, a derrota é amarga e injusta em partes iguais. Foram superiores na posse de bola e criaram as ocasiões mais claras ao longo dos 90 minutos regulamentares. Mas o futebol não premia sempre quem joga melhor. Premia quem erra menos — e nesta noite, quem errou nos penáltis. Hójlund, Dreyer e Jensen saíram do relvado do Epet Arena com a cabeça baixa, mas com a certeza de que a derrota não foi por falta de empenho.








Grupo A — Copa do Mundo 2026
Selecção Classificação
🇲🇽 México Anfitriã (CONCACAF)
🇿🇦 África do Sul Eliminatórias CAF
🇰🇷 Coreia do Sul Eliminatórias AFC
🇨🇿 República Checa Repescagem Europa

O Grupo A espera pelos checos com desafios de enorme dimensão: o México anfitrião, a Coreia do Sul de Son e a África do Sul com o apoio de uma nação inteira. A estreia está marcada para 11 de Junho, em Guadalajara, frente aos sul-coreanos. A República Checa regressa ao Mundo com uma geração que tem em Kovář, Souček, Šulc e Krejčí as suas principais referências — e com uma noite de Praga que nenhum checo alguma vez irá esquecer.

A Azzurra mergulha no abismo: Bósnia elimina a Itália e consagra o maior escândalo do futebol europeu

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Com um vermelho a Bastoni que mudou o destino da noite, Donnarumma a suster o impossível durante 80 minutos, e Esposito a enviar o primeiro penálti para as nuvens como Roberto Baggio em 1994, a Itália tetracampeã assiste ao seu terceiro apagão consecutivo num Mundial. Em Zenica, a Bósnia chorou de alegria. Em Roma, chorou-se de vergonha.

Há noites em que o futebol ultrapassa a condição de jogo e entra no domínio da tragédia grega. Esta foi uma delas. A Itália, tetracampeã do mundo, detentora de uma das histórias mais ricas do futebol planetário, saiu do Estádio Bilino Polje de Zenica derrotada nos penáltis por 4-1, eliminada pela Bósnia e Herzegovina na fase de repescagem do Campeonato do Mundo de 2026. É a terceira Copa do Mundo consecutiva em que a Azzurra ficará ausente — um feito sem precedentes na história da selecção italiana, que não disputa o torneio desde 2014, no Brasil.

A narrativa desta noite pertence a Gianluigi Donnarumma, que durante oitenta minutos fez tudo o que um guarda-redes pode fazer para segurar o seu país numa competição que parecia já ter escolhido o seu vencedor. Pertence a Alessandro Bastoni, cujo cartão vermelho ao minuto 41 — por falta sobre Memic que cortou uma clara oportunidade de golo — reescreveu o guião desta final. E pertence, com uma crueldade particular, a Francesco Pio Esposito, que enviou o primeiro penálti italiano para o espaço aéreo de Zenica, numa cena que evocou imediatamente a imagem imortal de Roberto Baggio a falhar na final de 1994.

O penálti de Esposito subiu. Alto. Demasiado alto. Como Baggio em Los Angeles. E Zenica explodiu.

Crónica ao vivo — Estádio Bilino Polje, Zenica

Kean Abre, Bastoni Destrói

O primeiro tempo começou como toda a gente esperava: a Bósnia a pressionar com intensidade física no seu estádio, a Itália a tentar controlar com a bola. Mas aos 14 minutos, num momento de desatenção bósnia, Barella lançou Kean em profundidade. O guarda-redes Vasilj saiu mal — uma decisão que ficará na história da sua carreira pelas piores razões — e o avançado italiano rematou colocado para o fundo da baliza. Um golo magnífico do artilheiro do Fiorentina, o seu quinto em seis jogos com a selecção.

O Bilino Polje reagiu com rugido. A Bósnia de Sergej Barbarez respondeu com pressão crescente, criando situações de perigo que Donnarumma foi resolvendo com a classe que o coloca entre os melhores do mundo. Aos 37 minutos, uma cabeçada de Demirovic passou muito perto. Depois, aos 41, num contra-ataque bósnio, Memic arrancou em direcção à baliza italiana com Bastoni como último defensor. O central italiano — um dos melhores da Europa ao serviço do Inter de Milão — derrubou o avançado. Cartão vermelho directo do árbitro Clément Turpin. Itália com dez homens durante 50 minutos mais prolongamento. O jogo tinha um novo dono.

120′Minutos de Jogo

12Anos Fora do Mundial

3.ªCopa Seguida Ausente

25+Remates da Bósnia

Donnarumma: Um Homem Contra o Destino

O segundo tempo foi de sofrimento colectivo para os italianos e de pressão avassaladora por parte da Bósnia. Com um jogador a mais, os bósnios atacaram em ondas sucessivas. Edin Džeko, lenda da selecção e símbolo de uma geração, movimentou-se de forma incansável tentando criar espaço. Gennaro Gattuso, no banco italiano, substituiu o avançado Retegui pelo zagueiro Gatti para recompor a defesa — um sinal claro da dificuldade do momento. A Itália passou a depender da frieza táctica e dos milagres do seu número um.

Donnarumma fez-los acontecer. Intervenção sobre Alajbegović. Defesa sobre Tabaković. Uma saída cirúrgica a cortar um cruzamento. O guarda-redes do Manchester City transformou-se no protagonista mais improvável de uma noite que parecia escrita para a tragédia italiana. Mas as probabilidades raramente se submetem aos heróis individuais. Aos 79 minutos, numa jogada de bola parada, Džeko cabeceou para a área e Haris Tabaković — o substituto entrado de fresco — aproveitou o rebote com o pé esquerdo para bater Donnarumma pelo ângulo oposto. Empate a 1-1. O Bilino Polje transformou-se num vulcão de emoção.

A Lotaria das Onze Marcas: Baggio Ressurgiu em Esposito

O prolongamento passou sem golos. Ambas as equipas, esgotadas de uma batalha de 90 minutos repleta de tensão e emoção, recusaram arriscar. E assim chegámos à lotaria dos penáltis — um ritual que a Itália conhece bem, mas que desta vez se revelou cruel.

Tahirović abriu para a Bósnia com qualidade. Depois, Esposito — o jovem avançado do Inter que entrara em campo como substituto — adiantou-se até à marca dos onze metros, encarou Vasilj, e rematou com força. A bola subiu. Alta demais. Para fora, por cima da barra. Uma cena que imediatamente fez o mundo do futebol recordar a imagem imortal de Roberto Baggio a falhar o último penálti da final de 1994. A história italiana com as grandes penalidades tem uma crueldade particular que esta noite voltou a manifestar-se. Tabaković e Tonali converteram depois — um por cada lado. Mas Cristante falhou o seu remate para a Bósnia o guardar com autoridade. A partir daí, os quatro bósnios foram impecáveis. A Itália estava fora.

⚠ Nota Histórica — A Crise Italiana

AItália, tetracampeã do mundo (1934, 1938, 1982, 2006), não disputa um Campeonato do Mundo desde o Brasil 2014. Falharam as qualificações de 2018 (eliminada pela Suécia na repescagem), de 2022 (eliminada pela Macedónia do Norte, então parte da Jugoslávia) e agora de 2026. Nenhuma grande nação do futebol europeu acumulou três ausências consecutivas num período tão recente. A Azzurra completará pelo menos 16 anos fora da mais importante competição de selecções do planeta.

Bósnia: Uma Nação que Mereceu Esta Noite

Do lado vencedor, a festa foi enorme. A Bósnia e Herzegovina — um país que declarou a sua independência em 1992, no meio de uma guerra devastadora, e que participou pela primeira vez num Mundial em 2014 — regressa ao máximo palco do futebol mundial pela segunda vez na história. Edin Džeko, o capitão que mais vezes vestiu a camisola bósnia, saiu do campo com os olhos em lágrimas. Para um jogador que tem dedicado décadas ao serviço da sua selecção, esta classificação representa muito mais do que um resultado desportivo.

A Bósnia integra o Grupo B ao lado do Canadá anfitrião, do Qatar e da Suíça. A estreia está marcada para 12 de Junho diante dos canadenses. É um grupo difícil, mas para uma equipa que eliminou a Itália com dez homens em campo durante mais de metade do jogo, a palavra dificuldade adquiriu um significado diferente nesta noite de Zenica.








Grupo B — Copa do Mundo 2026
Selecção Classificação
🇨🇦 Canadá Anfitriã (CONCACAF)
🇧🇦 Bósnia e Herzegovina Repescagem Europa
🇶🇦 Qatar Anfitriã (AFC)
🇨🇭 Suíça Eliminatórias UEFA

A noite terminou com imagens que pesarão durante anos: Donnarumma sentado no relvado, imóvel, a olhar para o nada. Gattuso com a cabeça entre as mãos. Esposito a abraçar os companheiros de equipa em lágrimas. E do outro lado do relvado, os jogadores bósnios a saltarem em cima uns dos outros, com Džeko no centro da celebração, finalmente a viver o momento que talvez nunca julgou possível voltar a viver. O futebol, na sua essência, é isto: cruel e glorioso ao mesmo tempo, sem distinção de reputações nem de histórias passadas. Esta noite, em Zenica, a história foi escrita em bósnio.

A Azzurra Exorciza os Fantasmas e Está a Um Passo do Regresso ao Mundo

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Tonali e Kean resolveram no segundo tempo uma noite de tensão e memórias amargas em Bérgamo. A Itália vence a Irlanda do Norte por 2–0 e avança à final da repescagem europeia, onde enfrenta a Bósnia e Herzegovina a 31 de Março.

Havia um peso invisível sobre o estádio New Balance Arena, em Bérgamo, muito antes de a bola rolar. É o peso da Suécia, da Macedónia do Norte, de dois Mundiais perdidos num país onde o futebol é, antes de tudo, uma questão de honra nacional. Mas desta feita, a Itália soube encontrar dentro de si o que precisava para sobreviver: dois remates certeiros de Sandro Tonali e Moise Kean que valem o apuramento para a final da repescagem europeia com uma vitória por 2–0 sobre a Irlanda do Norte.

12 Anos sem disputar um Mundial

2 Edições consecutivas ausentes

56′ Primeiro golo de Tonali

80′ Golo decisivo de Kean

Uma Primeira Parte Para Esquecer

Gennaro Gattuso escolheu Bérgamo por razão: queria um caldeirão, não uma catedral vazia. E a torcida correspondeu desde o primeiro minuto, empurrando os azzurri em cada lance. Contudo, a equipa italiana foi fiel à sua recente tradição de angústia: dominou o jogo com posse de bola, empilhou escanteios e tentativas, mas encontrou pela frente uma Irlanda do Norte extremamente disciplinada, fechada atrás com todos os seus jogadores atrás da linha da bola.

Federico Dimarco foi das poucas notas positivas do primeiro tempo, com um pontapé perigoso que obrigou o guarda-redes Pierce Charles a intervir. Mas o momento mais constrangedor pertenceu a Mateo Retegui: recebeu o esférico de graça a dois metros da baliza, disparou completamente sozinho, mas adiantou demasiado a bola e desperdiçou a melhor oportunidade da partida. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Era inevitável que tanto os tifosi como os jogadores fossem constantemente lembrados do que aconteceu nas duas repescagens anteriores. O medo ensombrou o futebol durante grande parte do jogo.


— Análise do jogo, repescagem europeia 2026

Tonali Acende a Chama

O intervalo trouxe uma equipa diferente. Gattuso terá dito o necessário no balneário, e a Itália entrou no segundo tempo com maior verticalidade e agressividade. Aos 53 minutos, Retegui voltou a desperdiçar — desta feita interceptado pelo defesa Brodie Spencer — e Kean falhou um remate cruzado que o guarda-redes Charles defendeu com a ponta dos dedos.

Então, ao minuto 56, surgiu Sandro Tonali. O médio do Newcastle aproveitou uma má abordagem da defesa da Irlanda do Norte, recebeu a bola na entrada da área e, de primeira, soltou uma bomba que não deu qualquer hipótese a Pierce Charles. O estádio explodiu. O fantasma recuou alguns passos.

Kean Sela a Classificação

Com vantagem, a Itália ganhou espaço e conseguiu controlar melhor o jogo. A Irlanda do Norte, obrigada a sair mais para o ataque, deixou espaços que os azzurri souberam explorar em transições rápidas, quase sempre com Kean como alvo. O atacante ainda atirou por cima aos 75 minutos, mas acabou por ser recompensado cinco minutos depois.

Numa jogada de qualidade superior, Tonali serviu Kean com um passe longo pela direita; o avançado cortou para o centro, enganou o defesa com um movimento de cintura e bateu cruzado, com o pé esquerdo, enviando a bola para o canto da baliza — ainda com um ligeiro toque na trave antes de entrar. Era o 2–0. Era a tranquilidade. Era, finalmente, a libertação.

Homenagem a Savoldi

Antes de a partida começar, foi respeitado um minuto de silêncio em memória de Giuseppe Savoldi, lendário avançado italiano falecido aos 79 anos, que marcou época no futebol peninsular, em particular ao serviço do Bologna. A cerimónia conferiu à noite um carácter ainda mais emocional, lembrando que há muito mais do que pontos em jogo quando a Itália desce a campo numa repescagem para o Mundial.

 

 

🇮🇹 Itália

  • 1 Donnarumma
  • 2 Mancini
  • 5 Calafiori
  • 23 Bastoni
  • 3 Dimarco
  • 7 Politano
  • 8 Tonali
  • 4 Locatelli
  • 18 Barella
  • 11 Kean
  • 9 Retegui

Seleccionador: Gennaro Gattuso

🏴󠁧󠁢󠁮󠁩󠁲󠁿 Irlanda do Norte

  • 1 P. Charles
  • 2 Hume
  • 5 McConville
  • 6 McNair
  • 3 Spencer
  • 4 Devlin
  • 8 S. Charles
  • 14 Galbraith
  • 11 Devenny
  • 10 Price
  • 9 Donley

Seleccionador: Michael O’Neill

▶ Próximo Jogo

Itália vs. Bósnia e Herzegovina — Final da Repescagem

31 de Março de 2026 · 15h45 (de Lisboa) · Fora de casa · Jogo único
Azzurra enfrenta a Bósnia e Herzegovina, que eliminou o País de Gales nas grandes penalidades (4–2), numa final única que vale a vaga no Grupo B do Mundial 2026, ao lado do Canadá, do Qatar e da Suíça.

Análise: Um Passo Decisivo, Mas Falta o Mais Difícil

A Itália venceu, mas não convenceu plenamente. A primeira parte foi um retrato fiel das suas limitações colectivas — falta de criatividade entre linhas, dependência excessiva dos extremos e dificuldade em romper blocos defensivos compactos. A Bósnia e Herzegovina, adversária na final, é uma equipa com mais qualidade individual e que vem de uma noite de alta intensidade emocional após os penáltis frente ao País de Gales.

O que muda é que agora a Itália não joga em casa. O factor psicológico, que tanto pesou nesta noite em Bérgamo, terá de ser gerido à distância, longe dos tifosi que encheram o estádio em apoio. Mas há um argumento que pode ser mais poderoso do que qualquer outro: a equipa que entra em campo a 31 de Março sabe que uma derrota significa mais quatro anos de espera. E essa certeza, paradoxalmente, pode ser a maior fonte de motivação para exorcizar de vez os fantasmas do passado.

Para a Irlanda do Norte, a eliminação encerra um sonho que alimentaram durante a fase de apuramento. A última participação numa fase final de um Mundial remonta ao México de 1986 — quarenta anos de ausência que continuarão a marcar a história de uma das selecções mais apaixonadas das ilhas britânicas. A equipa de Michael O’Neill mostrou organização e valentia, mas a qualidade individual italiana acabou por fazer a diferença.

Fim do Artigo

O Desportivo  ·  Edição Digital  ·  26 de Março de 2026
Repescagem Europeia para a Copa do Mundo FIFA 2026  ·  Bérgamo, Itália

Güler Assina, Kadioglu Conclui: a Turquia Está a Uma Vitória de Regressar ao Mundo Após 24 Anos

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Num jogo equilibrado e de poucas oportunidades, a mágica de Arda Güler num passe longo de enorme qualidade decidiu o destino da eliminatória. Kadioglu dominou e rematou na saída do guarda-redes romeno para selar o 1–0 que elimina a Roménia e coloca a Turquia na final da Chave C.

 

Vinte e quatro anos de espera pesam como uma eternidade no futebol turco. Desde o verão glorioso do Japão e da Coreia do Sul, onde a selecção de Şenol Güneş surpreendeu o mundo ao terminar em terceiro lugar, que a Turquia não disputa uma Copa do Mundo. Nesta quinta-feira, em Istambul, o sonho do regresso manteve-se vivo graças a um golo de Ferdi Kadioglu e, sobretudo, graças ao génio inclassificável de Arda Güler: uma vitória por 1–0 sobre a Roménia que garante o apuramento para a final da Chave C da repescagem europeia.

24 Anos sem disputar um Mundial

53′ Minuto do golo de Kadioglu

3.º Melhor resultado turco em 2002

D Grupo do vencedor (EUA, Par., Aus.)

Um Primeiro Tempo de Paciência e Domínio Sem Recompensa

O Tupraş Stadium, conhecido na era comercial como Vodafone Park, recebeu uma multidão fervorosa disposta a empurrar os seus até ao limite. E a Turquia correspondeu desde o início com uma postura dominante: mais posse de bola, mais presença no meio-campo adversário e, sobretudo, mais capacidade de criar situações de perigo — ainda que, na maioria das vezes, sem conseguir concretizar.

A melhor oportunidade do primeiro tempo pertenceu a Arda Güler. O criativo do Real Madrid, ladeado por Yilmaz do Galatasaray e por Kenan Yildiz da Juventus, foi uma das figuras mais influentes em campo. Aos 32 minutos, recebeu de Yildiz e rematou, mas por cima da trave. Hakan Çalhanoğlu também tentou a sua sorte através de uma falta directa que não inquietou Ionuț Radu.

Do lado romeno, a Roménia apostava em transições rápidas e chegou a assustar numa finalização de Ianis Hagi, filho da lenda romena Gheorghe Hagi, mas sem grande perigo real para o guarda-redes turco. Aos 32 minutos, um remate de Dragomir à trave foi cancelado por fora de jogo — um alerta que a selecção de Vincenzo Montella não tardou a responder com um crescente domínio.

Havia na bancada a consciência colectiva de que um erro poderia ser fatal. E foi exactamente nesse fio de navalha que ambas as selecções jogaram durante quarenta e cinco minutos interináveis.


— Crónica da partida · Repescagem Europeia 2026

O Passe de Génio que Mudou Tudo

O intervalo não alterou o guião, mas acelerou o desfecho. A Turquia voltou para a segunda parte com uma postura mais ofensiva e não demorou a abrir o marcador. Aos 53 minutos — sete minutos após o recomeço — aconteceu o momento que o Tupraş Stadium esperava: Arda Güler recebeu a bola no meio-campo, olhou para a frente e lançou Ferdi Kadioglu com um passe longo de precisão cirúrgica.

10

⭐ Figura do Jogo

Arda Güler — Real Madrid

O médio ofensivo turco de 19 anos foi o maestro da partida. Com uma visão de jogo excecional, foi responsável pelo passe decisivo que originou o único golo, manteve a equipa tranquila nos momentos de maior pressão e foi a figura que os adeptos turcos mais aplaudiram na noite de Istambul.

Kadioglu dominou a bola entre os defesas romenos e finalizou com precisão na saída do guarda-redes Ionuț Radu. O lateral-esquerdo do Brighton, habitualmente mais conhecido pelo seu trabalho defensivo, surgiu no lugar certo no momento certo. O estádio explodiu. Vinte e quatro anos de ausência começaram, naquele instante, a parecer um pouco menos longos.

A Roménia Bate na Trave — Literalmente

Longe de se resignar ao resultado, a Roménia tentou reagir e criou os seus momentos de perigo. Nicolae Stanciu acertou na trave após uma cobrança de canto aos 77 minutos, numa situação que gelou o estádio e relembrou que, no futebol, nada é definitivo antes do apito final. Mihaila também acertou no ferro da baliza anfitriã, em mais um momento de enorme tensão para os adeptos turcos.

Mas a Turquia soube administrar o resultado com posse de bola e com intervenções seguras do guarda-redes Ugurcan Çakir, que travou tudo o que lhe apareceu pela frente. A experiência e o sangue-frio dos jogadores de Montella, formados nas grandes ligas europeias, foi determinante para segurar os três pontos — e o passaporte para a final.

24 Anos de Saudade, Uma Final pela Frente

Quando o árbitro assinalou o fim do jogo, as bancadas do Tupraş Stadium transformaram-se numa onda de vermelho e branco. A Turquia garantiu a vaga na final da Chave C da repescagem europeia e aguarda o vencedor do confronto entre Eslováquia e Kosovo. Seja qual for o adversário, os turcos sairão a jogar fora de casa numa final única que vale o sonho há muito adiado.

O vencedor da final integrará o Grupo D da Copa do Mundo de 2026, ao lado dos Estados Unidos, do Paraguai e da Austrália. Para uma selecção turca que tem nos torneios internacionais uma história recente discreta — apesar de alguns momentos brilhantes no Euro 2024 — esta seria a oportunidade de voltar ao palco mais importante do futebol mundial. O último capítulo desta história será escrito a 30 de Março, com o mando a pertencer ao adversário ainda por definir.

Quanto à Roménia, a eliminação encerra uma tentativa de regresso ao Mundial que despertou esperança num país que viu as suas melhores gerações brilharem nos anos 90. Os romenos mostraram organização e lutaram até ao fim — Stanciu e Mihaila ficam com a consciência tranquila —, mas a qualidade individual turca, personificada no génio de Güler, acabou por fazer a diferença na noite de Istambul.

 

 

🇹🇷 Turquia

  • 1 Ugurcan Çakir
  • 2 Zeki Çelik
  • 4 Samet Akaydin
  • 5 Abdülkerim Bardakçi
  • 3 Ferdi Kadioglu ⚽
  • 8 Hakan Çalhanoğlu
  • 17 Salih Özcan
  • 14 Kaan Ayhan
  • 10 Arda Güler 🌟
  • 7 Kenan Yildiz
  • 9 Serdar Dursun

Seleccionador: Vincenzo Montella

🇷🇴 Roménia

  • 1 Ionuț Radu
  • 2 Andrei Rațiu
  • 5 Drăgușin
  • 6 Burca
  • 3 Bancu
  • 8 Marin
  • 14 Stanciu
  • 18 Dragomir
  • 10 Ianis Hagi
  • 11 Mihaila
  • 9 Pușcaș

Seleccionador: Mircea Lucescu

▶ Próximo Jogo

Turquia vs. Kosovo — Final da Chave C

30 de Março de 2026 · 21h00 (hora de Lisboa) · Fora de casa · Jogo único
A Turquia enfrentará o Kosovo, que eliminou a Eslováquia por 4–3, numa final de jogo único fora de casa. O vencedor integrará o Grupo D da Copa do Mundo 2026, ao lado dos Estados Unidos, do Paraguai e da Austrália.

Análise: Güler Eleva a Turquia, Mas a Final Será Ainda Mais Difícil

Vincenzo Montella construiu uma equipa sólida, de estrutura reconhecível e com jogadores de qualidade inegável nos corredores ofensivos. Arda Güler foi, uma vez mais, o elemento diferenciador — e é precisamente nessa dependência que reside o maior risco para a selecção turca. Quando o jovem do Real Madrid está em dia, a Turquia parece capaz de vencer qualquer adversário. Quando não está, a equipa perde criatividade e previsibilidade.

O Kosovo, vindo de uma vitória por 4–3 sobre a Eslováquia — uma batalha emocional e de enorme intensidade —, será um adversário diferente da Roménia. Mais caótico, mais imprevisível, com jogadores habituados à pressão dos grandes estádios europeus. A final será jogada em casa do Kosovo, o que retira à Turquia o factor que hoje foi decisivo: o apoio estrondoso das bancadas do Tupraş Stadium.

Mas o futebol, como a história ensina, não se joga em teoria. E a Turquia, com Güler a inspirar, com Çalhanoğlu a controlar e com Kadioglu a surpreender, tem argumentos suficientes para sonhar em escrever um novo capítulo glorioso na sua história mundialista — vinte e quatro anos depois do verão que ficou para sempre na memória de um povo.

Fim do Artigo

Gyökeres, o Carrasco de Trubin: Três Golos, Uma Noite Implacável e a Ucrânia Afastada do Mundo

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Oavançado do Arsenal — ex-Sporting — voltou a ser pesadelo para o guarda-redes do Benfica: um hat-trick soberbo em Valência que sentencia a Ucrânia e coloca a Suécia na final do Caminho B, onde aguarda a Polónia de Lewandowski.

 

Havia uma ironia quase cruel na composição desta partida. De um lado, Anatoliy Trubin — o jovem guarda-redes do Benfica que tão bem serviu os encarnados esta época — defendendo a baliza ucraniana com a consciência de que uma eliminação significava afastar a sua nação de uma Copa do Mundo num dos momentos mais dolorosos da sua história recente. Do outro, Viktor Gyökeres — o avançado que em dois anos ao serviço do Sporting marcou três golos ao próprio Trubin — prestes a repetir exactamente o mesmo número, desta feita com a camisola da Suécia. O futebol, quando escreve os seus libretos, não tem parcimónia.

🕊️

A Ucrânia disputou este jogo em terreno neutro — o Estádio Ciutat de Valência, em Espanha — uma vez que o país não recebe partidas internacionais desde a invasão russa em Fevereiro de 2022. Sem o apoio das bancadas de Kiev, a selecção de Serhiy Rebrov jogou longe de casa, num contexto que vai muito além do desportivo.

3 Golos de Gyökeres

6′ Primeiro golo — minuto

12 Part. Suécas em Mundiais

2018 Última presença sueca

Um Início Demolidor: Seis Minutos Bastaram

A Suécia entrou no jogo como se soubesse exactamente o que tinha de fazer. Sem hesitações, sem o nervosismo que marcou outras selecções nesta jornada de repescagem, os escandinavos instalaram-se no meio-campo adversário desde o apito inicial. Aos seis minutos — apenas seis —, Benjamin Nygren recebeu na esquerda, cruzou rasteiro para a área e Gyökeres empurrou para a baliza sem hipóteses para Trubin.

O golo cedo paradoxalmente complicou o plano sueco: a Ucrânia, forçada a reagir, assumiu maior posse de bola e tentou construir a partir de trás com Georgiy Sudakov a tentar ligar as linhas. A melhor oportunidade ucraniana do primeiro tempo surgiu curiosamente num desvio involuntário da própria defesa sueca a um cruzamento de Mykolenko — a bola passou muito perto da baliza de Nordfeldt, mas sem a direcção certa para representar perigo real. Por sua vez, Gudmundsson raspou na trave num remate cruzado que poderia ter aumentado ainda mais a vantagem antes do intervalo.

Uma exibição sublime de Viktor Gyökeres em Valência guiou a Suécia à vitória sobre a Ucrânia, com um hat-trick que deixou os ucranianos de fora do Mundial.


— UEFA, Resumo das meias-finais do play-off, 26 de Março de 2026

A Segunda Parte: Gyökeres Fecha o Caso

Se no primeiro tempo houve algum suspense sobre o desfecho, a segunda parte tratou de o dissipar rapidamente. Aos 51 minutos, numa jogada de grande eficácia colectiva, o guarda-redes Kristoffer Nordfeldt lançou longo após uma má abordagem de Zabarnyi. Gyökeres dominou dentro da área, cortou para o meio e rematou rasteiro ao canto, novamente sem qualquer hipótese para o guarda-redes do Benfica. O 2–0 era um veredicto severo mas justo.

17

⭐ Figura do Jogo · Hat-trick

Viktor Gyökeres — Arsenal FC

O avançado sueco de 26 anos, ex-Sporting CP, voltou a ser o pesadelo de Anatoliy Trubin — a quem já havia marcado três vezes durante a época em que os dois partilharam a liga portuguesa. Em Valência, repetiu o feito ao serviço da selecção: golo aos 6′, aos 51′ e penálti aos 71′. O melhor marcador do Arsenal em 2025/26 viveu, nas palavras da imprensa portuguesa, a sua ‘versão rolo-compressor’ mais avassaladora desde que deixou Alvalade.

O terceiro golo chegou aos 71 minutos e teve a assinatura inconfundível de um atacante que não perdoa. Gyökeres roubou a bola no meio-campo, avançou em velocidade em direcção à área e foi derrubado por Trubin numa saída precipitada do guarda-redes ucraniano. Penálti claro. O próprio avançado cobrou, rematou rasteiro para o canto direito — Trubin ainda tocou na bola, mas não o suficiente para a travar. Hat-trick concluído. 3–0. Jogo, set e partida.

Golos da Partida

⚽ 6′ — Suécia 1–0

Viktor Gyökeres (Assist: Nygren)

Cruzamento rasteiro de Nygren pela esquerda, Gyökeres empurra à boca da baliza

 

⚽ 51′ — Suécia 2–0

Viktor Gyökeres (Assist: Nordfeldt, guarda-redes)

Lançamento longo do guarda-redes; Gyökeres domina, corta para o meio e remata rasteiro ao canto

 

⚽ 71′ (pen.) — Suécia 3–0

Viktor Gyökeres — Hat-trick consumado

Trubin derruba Gyökeres na área; penálti convertido pelo próprio avançado, canto direito

 

⚽ 90′ — Suécia 3–1

Matvii Ponomarenko (Assist: Gutsulyak / Tsygankov)

Golo de honra na estreia pela selecção principal; cabeceamento após cruzamento da esquerda

Ponomarenko: A Única Nota Positiva Ucraniana

Aos 90 minutos, já com o resultado sentenciado, a Ucrânia teve pelo menos a consolação de ver um jovem talento estrear-se com um golo. Matvii Ponomarenko aproveitou um cruzamento vindo da esquerda após combinação entre Gutsulyak e Tsygankov e cabeceou para a baliza de Nordfeldt: 3–1. Era o mínimo que a honra ucraniana merecia numa noite difícil.

Sudakov — outro dos pilares do Benfica que esteve em campo — não conseguiu impor o seu jogo no meio-campo, sufocado pela organização defensiva sueca e pela intensidade que Gyökeres imprimiu ao jogo ofensivo adversário. Para Rebrov, a desilusão é grande: a Ucrânia tinha chegado a esta fase com a segunda melhor campanha do seu grupo nas eliminatórias, apenas atrás da França.

O ex-avançado do Sporting voltou a ser pesadelo para o guardião do Benfica, a quem havia marcado três vezes nos dois anos em que representou os verde e brancos — uma marca que igualou neste jogo ao serviço da selecção.


— A Bola, 26 de Março de 2026

Ligação Portuguesa ao Jogo

Não foram apenas Trubin e Sudakov do Benfica a marcar presença. Do lado sueco, Gustaf Lagerbielke — defesa-central do SC Braga — foi titular e cumpriu uma sólida exibição no centro da defesa escandinava. A arbitragem ficou a cargo do português João Pinheiro, assistido por Bruno Jesus e Luciano Maia, com Tiago Martins como VAR — uma equipa de arbitragem inteiramente nacional a dirigir um dos jogos mais importantes da noite europeia.

 

 

🇸🇪 Suécia

  • 1 Nordfeldt
  • 2 Johansson
  • 5 Hien
  • 6 Lagerbielke (SC Braga)
  • 3 Svensson
  • 8 Karlström
  • 10 Forsberg
  • 11 Larsson
  • 7 Elanga
  • 19 Bard­ghji
  • 17 Gyökeres ⚽⚽⚽ 🌟

Seleccionador: Jon Dahl Tomasson

🇺🇦 Ucrânia

  • 1 Trubin (SL Benfica)
  • 2 Konoplia
  • 44 Zabarnyi
  • 5 Matvienko
  • 3 Mykolenko
  • 6 Kaliuzhnyi
  • 10 Tsygankov
  • 8 Yarmoliuk
  • 14 Malinovskyi
  • 11 Sudakov (SL Benfica)
  • 9 Vanat

Seleccionador: Serhiy Rebrov

▶ Próximo Jogo

Polónia vs. Suécia — Final do Caminho B

31 de Março de 2026 · 15h45 (hora de Lisboa) · Local a definir · Jogo único
A Suécia enfrenta a Polónia de Robert Lewandowski (89 golos internacionais), que eliminou a Albânia por 2–1. O vencedor integrará o Grupo F da Copa do Mundo 2026, ao lado da Holanda, do Japão e da Tunísia.

Análise: Uma Máquina Chamada Gyökeres

Jon Dahl Tomasson construiu uma equipa equilibrada, com capacidade de transição rápida e com a inteligência colectiva de saber quando pressionar e quando recuar. Mas a grande diferença entre esta Suécia e a equipa que terminou na última posição do seu grupo de qualificação chama-se Viktor Gyökeres. O avançado do Arsenal, após uma campanha de qualificação sem golos, chegou ao momento decisivo e respondeu da forma mais contundente possível: com um hat-trick que deixou a Ucrânia sem respostas.

O próximo obstáculo é a Polónia — com Lewandowski a tentar chegar ao terceiro Mundial da carreira aos 37 anos — numa final única que se joga no mando polaco. A Suécia, que não vai a um Mundial desde 2018, onde chegou aos quartos-de-final, tem na forma avassaladora do seu centroavante o argumento mais poderoso para alimentar o sonho do regresso ao palco mais importante do futebol mundial.

Para a Ucrânia, fica a dor de uma eliminação que vai muito além do desportivo. Uma nação em guerra, que jogou longe de casa por razões que não escolheu, que viu alguns dos seus melhores jogadores brilhar nas maiores ligas europeias, mas que não conseguiu encontrar o caminho para o Mundial. O futebol, neste contexto, é apenas um reflexo do que um povo inteiro está a viver: a determinação de resistir, mesmo quando as circunstâncias tornam tudo mais difícil.

Fim do Artigo

Forest Entra pela Porta Grande em Londres e Humilha um Tottenham em Ruínas

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OTottenham Hotspur Stadium assistiu ontem a mais um episódio sombrio de uma temporada que se arrasta entre a frustração e a perplexidade. O Nottingham Forest, em plena corrida pelos lugares cimeiros da tabela, deslocou-se a Londres e saiu com uma goleada categórica por 3–0, impondo-se com uma eficácia cirúrgica que contrastou de forma gritante com a esterilidade ofensiva dos anfitriões.

Durante 90 minutos, o Tottenham teve a bola — 58% de posse —, gerou cantos aos pontapés (13 no total), mas não conseguiu transformar pressão em perigo real. Apenas dois remates enquadrados numa tarde inteira de jogo. Do outro lado, o Forest foi letal: oito remates, sete enquadrados, três golos. Uma dissertação sobre eficácia.

O Golpe ao Cair do Pano

A primeira parte foi de equilíbrio aparente, com o Tottenham a tentar impor-se pelo coletivo e o Forest a gerir com inteligência os espaços. Mas foi precisamente no momento em que os Spurs julgavam chegar ao intervalo empatados que o destino virou as costas à equipa da casa: no último suspiro da primeira parte, ao minuto 45, o Nottingham Forest abriu o marcador com um golo que gelou as bancadas e colocou o Tottenham numa posição incómodíssima.

 

Análise Tática · Campo Aberto

Ange Postecoglou reagiu logo no início do segundo tempo com duas substituições simultâneas, mas as mudanças não surtiram o efeito desejado. Ao minuto 62, o Forest dobrou a vantagem, aproveitando um erro defensivo dos Spurs para sentenciar de forma praticamente irreversível o resultado. O estádio começou a esvaziar-se antes do tempo.

Matz Sels e a Muralha do Forest

Se os golos do Nottingham Forest merecem destaque, não menos importante foi a solidez do guardião belga Matz Sels. Com quatro defesas realizadas, o guardião do Forest foi um obstáculo intransponível para Dominic Solanke, Randal Kolo Muani e companhia, todos incapazes de bater a sua baliza apesar das inúmeras tentativas. Sels foi o pilar que tornou possível um resultado que, visto de fora, poderia até parecer exagerado — mas que o jogo, na sua frieza, soube justificar.

Do lado contrário, o jovem guardião Antonin Kinsky pouco pôde fazer perante a eficácia do Forest, sofrendo três golos em apenas oito remates adversários. O rácio fala por si.

O Golpe de Misericórdia aos 87 Minutos

Para rematar a exibição, o Nottingham Forest marcou o terceiro golo ao minuto 87, quando o resultado já estava decidido há muito. O golo serviu para sublinhar a superioridade coletiva dos visitantes e para aprofundar a ferida de um Tottenham que, à saída do campo, ouviu os cânticos de descontentamento de uma claque que começa a perder a paciência.

Nesta fase da temporada, o Tottenham soma uma série preocupante de resultados negativos — derrotas para West Ham, Manchester United, Fulham e Crystal Palace, além de um humilhante 1–4 para o Arsenal. A vitória frente ao Manchester City por 2–2 e o empate em Liverpool parecem um longínquo fio de esperança numa teia de derrotas que se multiplica.

Principais Momentos

  • 45′NFOGolo no último lance da primeira parte. O Forest aproveita uma transição rápida e fura a defesa dos Spurs com frieza.
  •  
  • 46′🔄TOTDupla substituição de Postecoglou logo no arranque do segundo tempo, à procura da resposta.
  •  
  • 53′🟨NFOCartão amarelo ao Nottingham Forest num lance de alta intensidade.
  •  
  • 62′NFOSegundo golo do Forest. Erro defensivo dos Spurs explorado com precisão cirúrgica.
  •  
  • 82′🟨TOTAmarelo ao Tottenham, único cartão dos anfitriões no encontro.
  •  
  • 87′NFOGolo de sentença. O terceiro do Forest completa uma exibição memorável em Londres.

 

Onzes Iniciais

Tottenham Hotspur

  • Kinsky-GR
  • Dragusin-DEF
  • Udogie-DEF
  • Souza-DEF
  • Gray-DEF
  • Palhinha-MED
  • Bergvall-MED
  • Gallagher-MED
  • Simons-ATA
  • Solanke-ATA
  • Kolo Muani-ATA

Nottingham Forest

  • Sels-GR
  • Aina-DEF
  • Milenkovic-DEF
  • Morato-DEF
  • Netz-DEF
  • Yates-MED
  • Sangare-MED
  • Dominguez-MED
  • Ndoye-ATA
  • Awoniyi-ATA
  • Bakwa-ATA

O Que Vem a Seguir

O Tottenham não tem margem para mais deslizes. O próximo encontro leva os Spurs a defrontar o Sunderland a 12 de abril — curiosamente, os mesmos que ontem eliminaram o Newcastle. Uma missão que, à luz do que se viu hoje, não se adivinha nada simples para uma equipa à deriva.

Já o Nottingham Forest regressa a Nottingham de cabeça erguida e com três pontos valiosíssimos para a sua corrida ao topo da tabela. A equipa de Nuno Espírito Santo continua a demonstrar que esta temporada não é obra do acaso — é fruto de um coletivo coeso, disciplinado e com uma identidade de jogo clara.

O futebol inglês continua a surpreender. E o Forest, hoje, foi o seu protagonista mais improvável — e mais brilhante.

Sassuolo rouba um ponto inacreditável em Turim e paralisa a Juventus

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Num Allianz Stadium em silêncio de perplexidade ao apito final, a Juventus deixou escapar dois pontos preciosos ao empatar a um golo com o Sassuolo, equipa da décima posição da Serie A. Os bianconeri dominaram de forma avassaladora — sessenta e seis por cento da posse, dezoito remates, nove cantos — mas a ineficácia crónica na finalização voltou a assombrar a Vecchia Signora numa noite que prometia ser de conquista tranquila e se transformou num pesadelo táctico.

14’GOLO

⚽ JUVENTUS — 1–0

Dusan Vlahovic abre o marcador ao minuto catorze com uma finalização de classe. O sérvo encontra o espaço certo e confirma a superioridade bianconera no início do jogo.

 

52’GOLO

⚽ SASSUOLO — 1–1

Armand Laurienté, com toda a frieza e impudência de um jogador que não tem nada a perder, empata aos cinquenta e dois minutos numa jogada de contra-ataque fulminante. O Allianz Stadium fica em choque.

A JUVENTUS QUE DOMINA SEM MATAR

O guião estava escrito. A Juventus entrou no jogo com a autoridade de quem conhece o adversário e confiança para construir. Teun Koopmeiners e Fabio Miretti geriam o meio-campo com inteligência e Zhegrova ameaçava pela direita. O golo de Vlahovic ao minuto catorze parecia confirmar uma noite tranquila para os anfitriões — que acabara de sair vitoriosa de um Udinese difícil na ronda anterior.

Mas a Juventus desta temporada tem uma falha estrutural que os adversários conhecem cada vez melhor: domina, cria, avança — mas não mata. Com dezoito remates totais e oito enquadrados, os bianconeri deveriam ter o jogo encerrado muito antes do empate do Sassuolo. Jonathan David, Lois Openda e o próprio Vlahovic desperdiçaram oportunidades que, noutra noite, teriam enterrado o adversário ainda na primeira parte.

CRONOLOGIA DO JOGO

 

14′GOLO — Juventus (1–0): Vlahovic finaliza na área após combinação rápida. O Allianz respira.

 

52′GOLO — Sassuolo (1–1): Laurienté empata em contra-ataque. Silêncio no Allianz Stadium.

 

62′Dupla substituição — Juventus: Allegri responde com Jonathan David e Andrea Cambiaso em busca do golo da vitória.

 

64′Cartão Amarelo — Juventus: Tensão nas bancadas. O jogo começa a ficar crispado.

 

69′Dupla substituição — Sassuolo: Pinamonti e Volpato entram para ajudar a segurar o empate. Bloco defensivo neroverde reforçado.

 

74′Cartão Amarelo — Sassuolo: Foul deliberado no meio-campo para travar transição da Juventus.

 

79′Dupla substituição — Juventus: Mais mudanças de desespero. Kostic e Milik entram mas não conseguem alterar o marcador.

SASSUOLO — UMA OBRA-PRIMA DEFENSIVA

Se a Juventus protagonizou uma noite de frustração, o Sassuolo foi o oposto: uma obra-prima de disciplina táctica e eficácia clínica. Com apenas trinta e quatro por cento da posse de bola e cinco remates no total — apenas um enquadrado —, a equipa neroverde construiu uma muralha defensiva quase intransponível. Giacomo Satalino foi o herói individual da noite, com sete defesas que valeram o empate ao seu clube.

📊ESTATÍSTICA DO JOGO

O Sassuolo registou apenas um remate enquadrado em todo o jogo — e marcou com ele. A Juventus, com oito remates enquadrados, marcou apenas um. Esta assimetria brutal entre eficácia e domínio resume toda a frustração dos adeptos bianconeri no final do encontro.

— Análise pós-jogo · Allianz Stadium, Turim

03CONSEQUÊNCIAS NA CORRIDA AO TÍTULO

Este empate representa um golpe sensível nas ambições da Juventus na corrida à Serie A. Com cinquenta e quatro pontos, os bianconeri partilham o quinto lugar com o Como 1907 e vêem o Inter, líder com sessenta e oito, afastar-se ainda mais. A diferença de catorze pontos para o Inter torna o título uma missão praticamente impossível, e a equipa terá de se concentrar em assegurar uma das vagas às competições europeias — algo que, dados os resultados recentes, também não está garantido.

Para o Sassuolo, o empate é uma conquista histórica desta temporada. A equipa de Reggio Emilia, décima classificada com trinta e nove pontos, mostrou que tem carácter e qualidade para incomodar qualquer adversário — mesmo que a sua própria situação na tabela não inspire maiores ambições. Satalino, com sete defesas, terá uma noite para recordar toda a vida.