Análise
OCívitas Metropolitano foi, ontem à noite, palco de mais um pesadelo colchonero. O Atlético de Madrid, a braços com uma crise de resultados que começa a preocupar seriamente os adeptos, cedeu diante de um Celta de Vigo pragmático, organizado e devastadoramente eficaz. O marcador ficou em 0-1, mas as estatísticas gritam uma injustiça que, na verdade, apenas espelha a crueldade do futebol.
Durante 90 minutos, os madrilenos dominaram praticamente todos os indicadores de jogo. Cinquenta e seis por cento de posse de bola, dezassete remates — cinco deles enquadrados —, dez pontapés de canto, contra zero dos galegos. E ainda assim, foram os homens de Vigo a sair com os três pontos debaixo do braço, graças a um único remate convertido em golo no minuto 62.
O guarda-redes que valeu um título
Se há um nome que sairá desta partida iluminado é o de Ionut Radu. O guarda-redes romeno do Celta de Vigo realizou uma exibição absolutamente colossal, somando cinco defesas de enorme dificuldade que mantiveram intacta a baliza dos galegos até ao apito final. Griezmann, Lookman e Sørloth saíram frustrados de cada investida, travados por reflexos e uma presença física que tornaram o guardião num verdadeiro muro.
Num jogo em que o Celta não realizou um único canto, toda a pressão ofensiva do Atlético foi neutralizada por Radu e por um bloco defensivo exemplar, montado com disciplina e cumplicidade raras.
O golo que mudou tudo
Aos 62 minutos, numa das raras transições ofensivas do Celta, a equipa galega aproveitou a reorganização defensiva do Atlético após a dupla substituição de Simeone e, num remate certeiro, inaugurou o marcador. Foi o único remate à baliza do Celta — e bastou. A frieza com que os visitantes convertiram a sua única grande oportunidade resume, com elegância brutal, a diferença entre eficácia e domínio estéril.
Simeone sem respostas
Diego Simeone tentou mexer no jogo com cinco substituições ao longo da partida, introduzindo Luque Sierra, Llorente Miguel, Morcillo e Lenglet. Nenhuma das alterações surtiu o efeito desejado. O Atlético continuou a acumular remates sem converter, e a frustração foi crescendo nas bancadas do Metropolitano.
Esta é a segunda derrota consecutiva do Atlético em casa, depois da derrota frente ao Barcelona há duas semanas. Uma sequência que levanta sérias questões sobre a capacidade da equipa de se manter na luta pelo título nas últimas jornadas da Liga espanhola.
Celta respira fundo
Para o Celta de Vigo, estes três pontos chegam num momento absolutamente crucial. Numa fase da época em que cada ponto pode significar permanência ou descida, a vitória em Madrid tem um sabor especial e um peso enorme. Os galegos souberam sofrer, defender e atacar apenas quando a oportunidade surgiu — e fizeram-no com perfeição.
Com esta vitória, o Celta de Vigo envia uma mensagem clara aos adversários directos na luta pela manutenção: têm carácter, têm qualidade e, sobretudo, sabem como sobreviver nos momentos difíceis.