O clássico entre Liverpool e Chelsea na 36.ª jornada da Premier League terminou com um empate a um golo que deixou ambas as equipas com um sabor amargo. No icónico Anfield, o Liverpool não conseguiu garantir o regresso à Liga dos Campeões, enquanto o Chelsea evitou o que seria uma sétima derrota consecutiva — igualdade um recorde negativo do clube, que datava de 1952.
A partida resumiu em grande medida a temporada dos Reds: promissora nos primeiros minutos, hesitante e passiva depois. Arne Slot viu a sua equipa abrir o marcador cedo, mas desperdiçar inúmeras oportunidades de selar o resultado num duelo em que o adversário — sem treinador oficial e em crise profunda — acabou por crescer e empatar.
“O Liverpool entrou bem, marcou cedo, mas depois recuou e permitiu que um Chelsea sem confiança voltasse ao jogo. Encapsulou perfeitamente a temporada dos Reds.”
O golo relâmpago de Gravenberch
Logo aos 6 minutos, o Liverpool saltou para a frente. Szoboszlai bateu uma falta que embateu na barreira; na recarga, o jovem extremo Rio Ngumoha — apenas 17 anos — serviu Ryan Gravenberch na entrada da área, e o médio holandês enrolou com classe para o fundo das redes de Jörgensen. Era o quarto golo dos Reds nos primeiros 15 minutos de um jogo da liga nesta temporada.
A entrada de Ngumoha em campo foi uma das histórias do jogo. O adolescente, preferido ao lesionado Florian Wirtz, mostrou energia e criatividade, mas o Liverpool não soube capitalizar. Quando Virgil van Dijk, aos seis jardas de baliza vazia, rematou por cima, o ambiente de Anfield sentiu que aquele seria um daqueles dias difíceis.
O Chelsea cresce e Enzo castiga
Após o golo perdido por Van Dijk, o Chelsea tomou coragem. Com Mamardashvili — de regresso após lesão no joelho — a travar Cucurella (por duas vezes) e João Pedro, os Blues foram crescendo no jogo e aproveitando a passividade dos anfitriões. O Kop chegou a vaiar quando Konaté recuou a jogar para o guarda-redes a partir de meio-campo, sinal da frustração nas bancadas.
A equipa de Stamford Bridge acabou por ser recompensada. Uma falta desnecessária de Cody Gakpo entregou a bola a Enzo Fernández a 35 metros da baliza. O médio argentino bateu baixo e rasteiro; a bola passou por toda a gente e entrou junto ao poste distante. Wesley Fofana reclamou toque, mas o VAR confirmou que a bola entrou sem desvios.
VAR, barra e travessão: os Reds não encontram o caminho
Na segunda parte, o Liverpool tentou reagir, mas o VAR tornou-se o grande protagonista. Um golo de Cole Palmer foi anulado por posição irregular, assim como um cabeceamento de perto de Curtis Jones. Dominik Szoboszlai e o próprio Van Dijk ainda acertaram no poste e na trave, respetivamente, numa tarde de enorme azar para os Reds.
O jovem Ngumoha foi a principal referência ofensiva dos anfitriões na fase final, mas a falta de criatividade e a lentidão no jogo de Slot — que nesta época tem sido alvo de críticas — ficaram uma vez mais expostas. A substituição do adolescente pelo treinador holandês foi recebida com vaias vindas do Kop, sinal de que há pontes a reconstruir entre plantel, técnico e adepto.
Números do Jogo
O que está em jogo
O empate mantém o Liverpool dependente de si próprio para garantir a qualificação para a Champions League — precisam de vencer o próximo jogo, embora a diferença de golos jogue a seu favor caso o Bournemouth (6.º classificado) vença todos os restantes encontros. Para o Chelsea, o resultado não muda o panorama europeu: a participação nas competições do continente na próxima temporada parece cada vez mais distante.
Do lado de Stamford Bridge, o ambiente continua tenso. Sem treinador permanente, com os adeptos em conflito aberto com a direção e numa sequência de seis derrotas consecutivas antes deste jogo, o empate em Anfield poderá ser encarado como um pequeno alívio — mas não resolve os problemas estruturais do clube londrino.
“O Chelsea evitou bater o seu próprio recorde negativo de derrotas consecutivas, mas as questões fundamentais do clube estão muito longe de ser resolvidas.”
Onzes Iniciais
Liverpool
- 1GR-Mamardashvili
- 2DD-Curtis Jones
- 4DC-Ibrahima Konaté
- 5DC-Virgil van Dijk
- 3DE-Milos Kerkez
- 8MC-Ryan Gravenberch
- 10MC-Alexis Mac Allister
- 7MD-Jeremie Frimpong
- 9ME-Dominik Szoboszlai
- 11EX-Rio Ngumoha
- 18AV-Cody Gakpo
Chelsea
- 1GR-Filip Jörgensen
- 2DD-Malo Gusto
- 4DC-Wesley Fofana
- 6DCL-evi Colwill
- 16DC-Savio Hato
- 3DE-Marc Cucurella
- 25MC-Moisés Caicedo
- 27MC-Andrey Santos
- 8ME-Enzo Fernández
- 20EX-Cole Palmer
- 9AV-João Pedro
Próximos Passos
O Liverpool tem agora apenas duas jornadas pela frente para garantir a classificação para a Liga dos Campeões. Com a diferença de golos como trunfo, os Reds entram na reta final da temporada com pressão mas ainda com o destino nas suas mãos. O Chelsea, por sua vez, olha já para a final da FA Cup como principal objetivo — o único troféu ainda ao alcance num ano que ficará marcado pela crise e pela incerteza.