Nem sempre o domínio absoluto se converte em vitória. O Allianz Stadium foi palco, esta tarde de domingo, de uma das mais frustrantes exibições da Juventus nesta temporada. Com a bola nos pés durante três quartos do jogo, os bianconeri foram incapazes de ditar o resultado, deixando escapar dois pontos preciosos para as contas europeias da Serie A. O Hellas Verona, numa tarde de resistência heróica, arrancou um valioso empate a um golo de Turim.
Os números são eloquentes e implacáveis: 74% de posse de bola, 23 remates, 14 cantos e apenas um golo marcado. Frente a um adversário que se fechou atrás e apostou tudo na disciplina táctica, a Juventus revelou a sua maior fragilidade desta temporada — a incapacidade de transformar volume em eficácia.
O golo que mudou tudo
O guião da partida ficou virado do avesso logo no primeiro tempo. Após um arranque nervoso, com um cartão amarelo para o Hellas logo aos 5 minutos, foi a equipa visitante a abrir o marcador aos 34 minutos, num golo construído na transição directa que apanhou a defesa juventina completamente adormecida. Tomas Suslov e Kieron Bowie criaram o caos nos corredores, e o Allianz Stadium ficou em silêncio desconcertante.
Antes do intervalo, Thiago Motta já havia efectuado uma substituição — sinal claro da urgência que a desvantagem no marcador impunha. A equipa saiu para o relvado no segundo tempo completamente transformada na atitude, mas idêntica nos resultados práticos: muito movimento, pouca clareza, e o guarda-redes Lorenzo Montipò a crescer de forma inversamente proporcional à pressão que recebia.
Dominámos o jogo durante quase 90 minutos. O futebol por vezes é injusto, mas temos de ser mais clínicos. Um ponto não nos serve.
— Manuel Locatelli, capitão da Juventus
Empate justo ou roubo?
Aos 62 minutos, Kenan Yildiz — o talento turco que tem sido a grande luz da Juventus nesta temporada — apareceu na área com a frieza de um veterano para empatar a partida. A jogada foi construída com paciência, passando pelas botas de Francisco Conceição e Jonathan David, dois jogadores que durante o segundo tempo foram os mais perigosos dos bianconeri.
Mas após o empate, esperava-se uma Juventus assassina. Em vez disso, o que se viu foi uma equipa que continuou a produzir as mesmas oportunidades de sempre — Montipò defendeu cinco remates no total —, sem conseguir o toque de génio que resolvesse a contenda. O Hellas Verona, com quatro amarelos no bolso e um jogador lesionado, resistiu com a organização de quem luta pela sobrevivência na liga.
Montipò, o homem da tarde
Lorenzo Montipò foi, sem qualquer hipótese de discussão, o melhor jogador em campo. O guarda-redes do Hellas Verona protagonizou defesas de enorme qualidade, impedindo que a Juventus transformasse a sua omnipresença no jogo numa vitória merecia. Aos 75 minutos, uma intervenção sobre uma cabeceada de Bremer valeu um aplauso involuntário até das bancadas juventinas. Há noites em que um guarda-redes decide o destino dos pontos — esta foi claramente uma delas.
Para a Juventus, o empate chega num momento delicado da época. Com as jornadas finais a aproximar-se, cada ponto desperdiçado pode ser determinante para as ambições europeias da equipa de Turim. A deslocação a Lecce, no próximo sábado, assume já uma importância capital. Para o Hellas Verona, este resultado pode ser a tábua de salvação numa luta pela permanência que está longe de estar decidida.